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Ngonda acusado de “barrar” membros do comité central ao Congresso

Dezenas de membros do Comité Central da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) dizem ter sido expulsos do II Congresso Extraordinário na sua abertura, esta Segunda-feira, 25, na cidade do Huambo.

POR: Norberto Sateco

Os membros alvo da medida, alegadamente baixada pelo líder do partido, provenientes das 18 províncias do país, fazem parte do grupo dos contestatários da actual liderança, que acusam Lucas Bengui Ngonda de má gestão, abuso de poder, nepotismo e regionalismo no seio dos “irmãos”. Segundo um dos membros desta ala, Edgar Castelo Branco, antigo segundo secretário da FNLA, a medida configura um atropelo aos princípios estatutários.

“Vamos impugnar este Congresso, uma vez que não reuniu mais de trezentos militantes”, disse o interlocutor, para quem o conclave não possui qualquer legitimidade. Em pronta reacção, o portavoz da FNLA, Jerónimo Makana, considera esta situação um falso problema, porque os congressistas impedidos pela segurança não se faziam acompanhar da respectiva convocatória. “Ninguém foi expulso da reunião de abertura da actividade”, declarou o porta-voz do evento. Entretanto, o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, durante a sua intervenção na abertura acusou os mesmos militantes que o contestam na liderança do partido de nutrirem uma pretensão desmedida pelo poder.

Na sua óptica, os conflitos internos nas estruturas centrais da FNLA são causados pela ambição, desonestidade e ingratidão de tais militantes que, esquecendo- se do apoio que lhes fora prestado pela actual Direcção do partido, tudo fazem para derrubá-la. Lucas Ngonda declarou que os militantes em causa, alguns dos quais chegaram a assumir cargos de chefia nas estruturas centrais, desviaram os carros do partido, adquiridos no âmbito das eleições gerais de 2017, além do restante património material, com destaque para a venda de um imóvel no distrito urbano da Maianga, província de Luanda. Por seu turno, Laiz Eduardo, membro do Comité Central do partido, contrariou esta denúncia do líder do partido, tendo prometido levar o assunto às barras do Tribunal por tratar-se de uma questão de justiça e não política.

Lucas Ngonda negou as acusações de nepotismo, regionalismo e de incompreensão no seio do partido, referindo que os que fazem tais acusações são os mesmos que, ao invés de lutarem pela unidade e a coesão interna, mobilizaram eleitores para não votarem na FNLA e, ao mesmo tempo, furtaramse da auditoria, após o uso indevido dos recursos do partido. Afirmou que, apesar destes conflitos, a FNLA encontrase preparada para enfrentar as eleições autárquicas, em 2020, tendo, deste modo, apelado para a necessidade da criação de uma estrutura à parte da Comissão Nacional Eleitoral, para que não se incorra no viciamento do processo, que, no seu entender, deve basear-se no gradualismo funcional. O término do Congresso está previsto para o próximo dia 28. Participam 401 delegados.

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