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Sem nada a perder

No dia em que a Polícia Nacional apresentou os resultados da Operação Relâmpago, que tirou da circulação, em dois dias e em todo o país, cerca de mil e duzentos presumíveis criminosos, eis que surge a notícia de mais um assassinato brutal e com requintes de malvadez difícil de explicar, em Luanda, com um cidadão morto em casa, perante a família.

POR: José Kaliengue

É o crime a dizer presente. A dizer que não teme as autoridades, que não foi abalado pela acção policial. Há que reflectir seriamente sobre a forma como vivemos. Se a Operação Relâmpago visava devolver alguma tranquilidade aos cidadãos, o sentimento de insegurança apenas aumentou com o crime do bairro Mundial e outros que não tiveram lugar nos media. “Nós já somos mortos”, terão dito os bandidos à mulher da vítima. Este é exactamente o problema que as autoridades fingem não ver. Enquanto se engendram negócios para ganhar comissões sabendo que não terão impacto na vida das pessoas, enquanto se promovem festas de milhões e se postam nas redes sociais e revistas fotografias de uma felicidade mentida e fútil, com adereços brilhantes impossíveis de justificar, há demasiada gente sem nada a perder, indignada, perdida. Temos uma legião de jovens com o dedo no gatilho. É tudo o que têm. Ficou visto que operações relâmpago, ou com qualquer outro nome, nada resolvem, tem de haver dignidade relâmpago. Electricidade, escolas que sejam mesmo escolas, formação, emprego e boa remuneração, castigo à corrupção e menos ostentação, ou o lugar nas manchetes deixará de ser para o crime em si, cabendo nelas o mais elaborado apenas.

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