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Discriminação de prostitutas propícia expansão do SIDA

Devido à elevada quantidade de novas infenções, organizações da sociedade civil advogam a necessidade da inclusão das trabalhadoras do sexo e de outros grupos vulneráveis na Estratégia Nacional de Prevenção, Cuidados e Tratamento do VIH/ SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis

Texto de: Domingos Bento

A falta de programas específicos virados para a luta contra o VIH/SIDA no seio das trabalhadoras de sexo, dos homossexuais e de outros grupos vulneráveis que convivem com a doença nos programas do Governo, nos últimos anos, contribuiu para o aumento de infecções no país, revelou ontem, em Luanda, António Coelho, secretário executivo das Organizações Angolanas de Serviços de SIDA (ANASO).

O responsável prestou estas declarações ao jornal OPAIS à margem do seminário de apresentação da “Estratégia Nacional de Prevenção, Cuidados e Tratamento das ITS/VIH-SIDA para Populações Chaves e Vulneráveis em Angola 2018-2022”.

Disse que durante muitos anos as trabalhadoras de sexo, os homossexuais e outros grupos mais vulneráveis sofreram bastante discriminação e não eram incluídos nos programas de luta contra a doença. Longe das políticas de Estado e do olhar marginalizador da sociedade, esse grupo passou a viver de forma descontrolada, sem a observação das acções e das medidas preventivas e de combate à pandemia.

A situação, segundo António Coelho, agudizou-se ainda mais com a acentuada carência de meios como preservativos, testes rápidos, campanhas de sensibilização, programas de medias e de outros equipamentos. Porém, esta situação permitiu que, actualmente, 10,5 por cento das trabalhadoras de sexo das províncias de Luanda, Benguela, Cabinda, Cunene dr publicidade e Bié vivam com VIH/SIDA, segundo dados passados pelo secretário de Estado da Saúde, José Manuel Vieira Dias da Cunha, na abertura do referido seminário.

Deste grupo, 2,6 por cento vivem com sífilis activa. Para António Coelho, face ao actual cenário, é necessário que o Estado reforce os mecanismos de inclusão deste grupo de pessoas no aludido plano estratégico nacional, tendo em conta que durante muito tempo foram deixados de parte.

“Durante muitos anos os dados do país eram politizados. Eram divulgados mediante conveniência política”, frisou.

Acrescentou, de seguida, que “hoje estamos num novo paradigma, não devemos nos assustar com os números de trabalhadoras do sexo infectadas. Devemos é agora pensar nas políticas claras e na definição de estratégias convincentes”. No entender de António Coelho, é necessário que o Estado e a sociedade abram espaços, sem discriminação, a fim de que todos os grupos vulneráveis se afirmem de forma a cooperarem com as acções e estratégias de combate.

Esse espaço, explicou, passa pela aceitação da sua existência e perceber a melhor forma de os incluir nas Estratégias Nacionais. País pode ter associação das trabalhadoras do sexo “Nos últimos anos as trabalhadoras do sexo têm vindo a organizar- se e há intenções de evoluírem para uma associação ou sindicato como acontece noutros países. Também os homossexuais são uma realidade e não podemos fingir que não existem. E neste meio há muita promiscuidade.

É hora de começarmos a inclui-los nos programas de prevenção e de combate e definirmos políticas claras e estratégias conviventes”, frisou. Sobre a Estratégia Nacional de Prevenção, Cuidados e Tratamento do VIH-SIDA e de outras doenças sexualmente transmissíveis 2018- 2022, António Coelho fez saber que este programa só terá sucesso caso haja empenho e vontade política do Executivo, canalizando verbas e acções concretas neste sentido.

“Os actores sociais comprometidos com a luta contra a SIDA no país fizeram a sua parte, lançado a estratégia nacional para o apoio da população chave. Agora é preciso que a outros níveis se consiga os devidos apoios para que este acto venha a ser, de facto, uma realidade”, atestou

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