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Província de Benguela não tem aterros sanitários

Apenas nos nos 4 municípios do litoral de Benguela, são produzidos diariamente cerca de 550 mil quilos de lixo, tratando-se dos mais populosos. Apesar dessa quantidade elevada, ao que se soma o montante originado nos demais 6 municípios, não existe um único aterro sanitário no território provincial

Texto de: Zuleide de Carvalho (Texto e foto)

O lixo em Benguela grita por intervenções profundas e urgentes. Agora que nos municípios da Baía Farta, Benguela, Catumbela e Lobito, são as Administrações Municipais a trabalhar na recolha, mais transtornos são sentidos no quotidiano. Para essas entidades estatais, a responsabilidade de recolher e transportar os resíduos sólidos produzidos diariamente na urbe e periferias é novidade, não estando capacitados para dar respostas satisfatórias, pois o lixo continua a acumular-se nas cidades.

Sendo um dado avançado pelo Governo Provincial, estima-se que, no litoral da província, cada pessoa produza 0,5Kg de lixo por dia. O que perfaz 550 toneladas em 4 municípios, que albergam cerca de 1.100.000 habitantes. Porque é no litoral que estão concentradas grande parte da população e das empresas, é onde mais lixo se produz, e não existem locais apropriados para se desfazer dos resíduos sólidos urbanos, os aterros sanitários.

Todavia, desrespeitando regras ambientais, existe no município sede uma vasta lixeira, com aproximadamente 20 hectares de área, para onde os camiões da Administração transportam o lixo que recolhem nos bairros e zona urbana.

Aterros sanitários exigem-se

Para além do perigo que a acomodação desapropriada do lixo representa para o ambiente, a lixeira de Benguela também ameaça a saúde pública, uma vez que há populações que decidiram lá construir as suas habitações. João Buaio, mestre em Ambiente, argumenta que “o lixo não pode ser tratado todo da mesma maneira”, logo, ser recolhido e depois depositado numa lixeira, é reprovável. Por conseguinte, ponderou sobre os funcionários da Administração incumbidos dessa tarefa, recolha e transporte do lixo.

Devem ser alvo de formações técnicas para saberem como fazer o tratamento dos resíduos na lixeira, não havendo aterros. É preocupante a forma como o lixo é armazenado nessa área, distando cerca de 25 Km do centro da cidade, porque consiste unicamente no enterro, cavando-se, pelas dezenas de hectares, grandes buracos no solo. Nas fundas covas, depositam-se toneladas de lixo, sobrepondo-se uma camada de terra, para acomodar, posteriormente, mais lixo.

Assim, intercala-se lixo e terra, terra e lixo, até atingir-se um limite distante da superfície, tapando- se o buraco.

A explicação foi dada anteontem por Leopoldo Muhongo, governador provincial em exercício, quando procedeu à entrega de 3 camiões basculantes, dois para Benguela, um para o Lobito e, uma pá carregadora para cada um.

Racionalizar os poucos meios que a A.M.B. tem

Os camiões, bem como mais 5 barcas metálicas, juntam-se aos 100 contentores plásticos e 20 barcas metálicas que o Governo adquiriu para a sede municipal. Todavia, no que à acomodação do lixo diz respeito, representam nem 10% das necessidades de cobertura do município de Benguela, adiantou o director do gabinete provincial do Ambiente e Gestão de Resíduos Sólidos, Elmano Inácio.

O governador provincial em exercício, Leopoldo Muhongo, enunciou, numa estimativa, que 400 contentores e 85 barcas poderiam servir para controlar a problemática do lixo, porém, estudos estão a ser feitos para averiguar o número real. Pronunciando-se sobre o cenário de Benguela, quanto ao lixo, o administrador municipal, Carlos Guardado, proferiu: “dois camiões e uma pá carregadora já representa muito, para uma Administração que não tem meios nenhuns”, analisou.

“Temos estado a fazer operações com meios alugados” e “por comparticipação do empresariado local, que tem emprestado os seus camiões e pás carregadoras, temos feito serviços de recolha e depósito do lixo na lixeira grande.” Porque “a capacidade de produção do lixo é mais rápida que a nossa capacidade de recolha”, é imprescindível que os cidadãos depositem os resíduos nos focos indicados, amarrados em sacos, apelou o administrador Guardado.

Balanço da primeira semana sem contentores nas ruas

“As pessoas estão a cumprir minimamente, a acomodação dos resíduos nos pontos previamente indicados”, declarou Leopoldo Muhongo. “Precisamos de continuar a fazer a atribuição de equipamentos para acomodação dos resíduos, é a maior preocupação.”

E porque são necessários muitos mais materiais, “a partir de Segunda- feira, vamos fazer um reforço mais significativo”, na aquisição e distribuição de meios para depósito do lixo, assegurou o dirigente.

Pois, “garantir maior qualidade de vida à nossa população” é o objectivo fundamental da atenção que o Governo começou a dar à problemática do lixo, sustentou Muhongo, pelo que, a sociedade espera ver os resultados.

Conduta da sociedade deve mudar

Mestre em ambiente, João Buaio crê que “o primeiro problema está na fraca informação da população. A nossa população, maioritariamente, não tem níveis de educação e de conhecimento” alinhados às regras ambientais vitais para qualidade de vida. Se, por um lado, vê-se que o Estado tem agido para a resolução dos amontoados de lixo espalhados pela província de Benguela, por outro, na sede municipal, é visível que a sociedade não contribui o sufi – ciente.

OPAÍS tem estado atento ao centro urbano, onde parece estar a tornar-se “normal” haver lixo deitado a céu aberto, fora de sacos e com mau cheiro, espalhado por passeios à beira da estrada. Vêem-se cidadãos que decidem não caminhar meros 25m para depositar o lixo nos pontos recomendados, onde, outrora, havia contentores.

Ao invés, esvaziam os baldes com lixo, trazidos das residências, no meio do passeio mais próximo. É exemplo a Rua dos Açores. Bem localizada na cidade, ficou 10 dias a acumular lixo no chão e mau cheiro no ar, tendo a Administração recolhido apenas uma semana após começar com esta responsabilidade.

Na rua Francisco Simões do Amaral, próxima à anterior, onde dia 27 havia um pequeno amontoado de pó, acomodado pelas varredoras da Administração, alguns residentes transformaram-no ontem em depósito de lixo, bem visível na fotografia.

Essa conduta demonstra a árdua tarefa que toda a sociedade civil tem em mãos, unindo esforços com o Estado para, em primeiro lugar, mudar mentalidades e, em segundo, combater e erradicar o problema do lixo.

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