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ASCOFA assiste mais de 80 mil ex-militares das FAPLA

Estes dados foram avançados a OPAÍS pelo pelo seu presidente, brigadeiro António Fernando(Samora), por ocasião do 17º aniversário da instituição que dirige, a assinalar-se no próximo dia 1 de Agosto

POR: Ireneu Mujoco

Oitenta seis mil, entre ex-militares, viúvas e órfãos de guerra de combatentes das ex-FAPLA, integrados na ASCOFA, estão a beneficiar de projectos de integração e reinserção social em vários domínios. A implementação destes projectos nas áreas da formação tecno-profissional, académica, agrícola, agro-pecuária, pescas, construção de habitações sociais, assistência médica e jurídica, conta com o apoio do Executivo. Estes dados foram avançado a OPAÍS pelo presidente da ASCOFA, brigadeiro António Fernando (Samora), por ocasião do 17º aniversário da instituição que dirige a assinalar-se no próximo dia 1 de Agosto.

No leque destes projectos, o responsável informou que desde o ano de 2010 a ASCOFA criou um projecto habitacional para a construção de cinco mil casas em todo o país, de tipologias T2, T3 e T4, beneficiando cada província 300 residências, numa primeira fase. Para a edificação destas habitações, segundo António Samora, foram já efectuados contactos com os governos provinciais de Luanda, Benguela, Cunene, Bengo, Malange, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Zaire e Huambo, para a concessão de terrenos.

Formação e fomento de emprego

Em parceira com o Ministério da Administração Pública Emprego e Segurança Social(MAPESS), Instituto Nacional de Pequenas e Médias Empresas(INAPEM) e o Instituto de Reintegração Reinserção Social dos Ex- Militares(IRSEM), foram formados e empregados mais de dois mil ex-militares no projecto Moto- táxi em todo o país. No âmbito da formação académica e tecno-profissional, segundo o presidente da ASCOFA, foram formados mais de cinco mil beneficiários em artes e ofícios. Foram também formados, entre ex-militares e seus dependentes, 23 mil e 313 beneficiários, sendo 5 mil e 543 técnicos superiores, e 7 mil 770 de nível médio, e 10 mil e 380 que tiveram formação tecno-profissional.

Outros projectos

Ainda no âmbito dos vários projectos em carteira, prevê-se, para a breve, a construção da sede nacional da ASCOFA na Centralidade do Kilamba, segundo o presidente. Disse haver vários projectos em carteira, mas a sua execução está condicionada à obtenção de financiamento através dos seus parceiros sociais, numa altura em que o país enfrenta uma crise económica e financeira. António Samora explicou que a sua instituição tem trabalhado no sentido de ajudar o antigo combatente das ex-FAPLA para ter um papel interventivo na sociedade como forma de assegurar a sua sobrevivência. Segundo o entrevistado, o processo de reintegração de ex-militares facilita a transição da vida militar para a vida civil de cidadãos que estiveram durante longos anos envolvidos na guerra.

A maior parte destes enfrentam problemas de enquadramento social e económico quando passam à situação de desmobilizados, sendo que alguns não possuem formação académica e tecno-profissional suficientes que lhes garantam uma reintegração rápida na vida civil. Apontou estas como sendo algumas das razões por que a ASCOFA apostou na formação académica e tecno-profissional dos seus filiados e seus dependentes, face às exigências no mercado do trabalho. “Como sabemos, hoje em dia, o mercado de trabalho quer ou procura profissionais competentes, e sem formação académica ou profissional, as coisa complicam-se”, admitiu Samora. É nesta senda que a aposta na formação continuará nas prioridades da sua instituição, cuja ideia é ajudar o maior número possível de associados em todo o país, para que vivam fora da indigência.

Preocupações

Entretanto, algumas das maiores preocupações que têm afligido António Samora são as prementes necessidades com que se debatem as centenas de viúvas e órfãos cujas respostas, às vezes, não têm sido feitas em tempo oportuno, por razões diversas. Na sua mesa de trabalho chegam quase que diariamente solicitações para acudir a situações de emergência, mas, por razões alheias à sua vontade, não as resolve, por não estarem ao alcance da instituição. “Alguns destes casos são encaminhados aos nossos parceiros e dentro das suas capacidades dão a resposta necessária”, explicou o responsável, que augura melhores dias para esta associação.

A ASCOFA

A Associação de Apoio aos Combatentes das Ex-FAPLA(ASCO FA) é uma instituição de utilidade pública reconhecida pelo Estado Angolano à luz do Decreto nº 33/07 do Conselho de Ministros, publicado no Diário da República, de 24 de Maio de 2007, I série-nº 63. O seu objecto social carateriza-se na resolução dos problemas dos ex-militares das FAPLA, viúvas de guerra e órfãos de combatentes, por via da sua integração e reinserção na sociedade.

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