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Bancos vão poder comprar divisas directamente às petrolíferas

O governador do Banco Nacional de Angola garantiu, ontem, em Luanda, que a segunda fase do novo quadro operacional do mercado cambial vai permitir aumentar o número de ofertante de moedas estrangeiras. Além do BNA , José de Lima Massano avançou que o tesouro, os operadores petrolíferos e os exportadores do sector não petrolífero também poderão vender divisas ao mercado

POR: Hélder Caculo

“Esta etapa será implementada de modo faseado, pelo que num primeiro momento teremos os exportadores não petrolíferos, até Setembro deste ano, e, posteriormente, a reentrada dos operadores petrolíferos”. No que se refere ao apuramento da taxa de câmbio, o governador do Banco Central, que discursava durante o encerramento do Fórum Banca, promovido pelo Jornal Expansão, disse que pretende-se captar os movimentos diários de compra e venda de divisas que ocorrem no mercado para que o câmbio deixa de ser apenas o formado com a realização de leilões do BNA.

“O ajustamento do mercado cambial junta-se a um conjunto de reformas estruturais e é relevante por sermos uma economia aberta e ainda muito dependente de factores externos, disse José de Lima Massano. Segundo o governador, o novo regime cambial não é em si a solução para todos os males que afectam a economia do país. “Deve funcionar em alinhamento aos objectivos de desenvolvimento económico constantes do programa orientador de governação”. Sublinhou que não obstante as boas notícias do novo regime de câmbio flutuante há também alguns sacrifícios, quer ao nível empresarial quer ao nível pessoal, que serão necessários. “Teremos o mercado a ditar o equilíbrio do preço da moeda, mas o mercado também tem as suas imperfeições, deveremos ter uma pressão sobre a moeda, pela assimetria de informação dos agentes económicos, por prestação de decisões de políticas menos assertivas ou até mesmo por sentimento de menor confiança na economia”, frisou Massano.

O gestor do BNA chamou a atenção dos operadores bancários e dos agentes económicos sobre a necessidade de uma utilização eficiente das divisas. Segundo pensa, estas devem ser colocadas ao serviço do desenvolvimento e da construção do bem-estar social. “Temos ainda uma procura por divisas elevada para a cobertura de importações de bens que o país tem condições de produzir. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, a importação de alimentos cifrou- se em USD 560 milhões. Apesar de representar uma queda de 30% comparativamente ao mesmo período de 2017, no final do presente ano poderemos não estar muito longe de cerca dos USD 3,3 mil milhões de importações de alimentos”, revelou. Segundo José de Lima Massano, a procura mensal de divisas para importação de matéria-prima para o sector não petrolífero está acima de USD 300 milhões. Entretanto, alerta que muito dessa procura poderia ser atendida com a produção interna, particularmente o sector de bebidas.

BNA paga dívida às companhias aéreas

José de Lima Massano revelou ainda que estão em fase adiantada de resolução os pendentes cambiais dos anos anteriores que até 31 de Dezembro de 2017 estavam avaliados em cerca de USD 3 mil milhões. “No mês de Julho daremos tratamento final aos valores reclamados pelas companhias aéreas que dos USD 540 milhões identificados como devidos, no início deste ano, estão hoje calculados em menos de USD 100 milhões”, revelou. Em relação à regulamentação recentemente publicada sobre o novo limite para o capital social dos bancos e dos limites para a posição cambial, assim como a efectiva implementação de uma supervisão baseada no risco, o governador referiu que as medidas visam robustecer o sistema financeiro bancário. José de Lima Massano avançou que nos próximos dias novas regras serão adoptadas em processo de liquidação de importação e exportação de mercadorias, procurando-se conferir maior segurança nas relações com contratados externos, mantendo-se tanto o pagamento quanto as mercadorias.

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