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Enfermeiro suicida-se no Hospital Regional de Malanje

António Muzaba, de 54 anos de idade, enfermeiro da área de ortopedia do Hospital Regional de Malanje (HRM ), unidade hospitalar em que esteva internado, suicidou-se, jogando-se do 7º andar. O cidadão tinha sido internado na Quarta-feira por ter tentado tirar a vida

POR: Miguel José, em Malanje

A urbe malanjina viu-se surpreendida, nas primeiras horas da manhã de ontem, Sexta-feira, com a morte por suicídio de um cidadão que trabalhava como enfermeiro, há 26 anos, na secção de ortopedia do HRM. António deu entrada 48 horas antes no banco de urgência por ter antes ingerido uma substância cáustica não identificada, na tentativa de suicidar-se. A senhora Jacinta Bernardo, viúva do malogrado, conta que nos últimos dias o seu esposo esteve a consumir muito álcool, a ponto de causar-lhe alucinações que o levavam a supor que estivesse a ser vítima de perseguição. “Ele dizia sempre que estão a vir à sua busca para dar-lhe com machado ou com um ferro”, citou.

Na Quarta-feira, a situação tomou outros contornos, com a ingestão de uma substância cáustica que obrigou a que fosse levado de imediato, de madrugada, ao banco de urgência do HRM, onde terá permanecido 24 horas e, de seguida, transferido para melhor tratamento, na enfermaria onde permaneceu apenas uma noite. “Ele, de manhã pediu comida. Só fui à casa buscar a comida e quando voltei disseram-me que o meu marido morreu”, chorava. Em consequência da ocorrência, o director-geral do HRM, Isaac Savumbi, relata que a vítima aparentava estar calma e sem quaisquer indícios de transtorno psíquico que levasse a alguma tendência de suicídio. Quando deu entrada na urgência foram-lhe identificadas lesões graves no organismo, resultado da substância ingerida. Foi transferido para o 4º andar, enquanto aguardava a sua transferência para Luanda, para tratamento especializado ‘gastroenterologia’. A partida estava programada para o dia em que o mesmo viria a suicidar- se.

Reforçadas medidas de controlo dos pacientes

Questionado sobre a segurança no hospital, Isaac Savumbi descartou haver qualquer falha no sistema de segurança do hospital, porquanto, apenas adiantou que o malogrado, por ter sido trabalhador da mesma unidade hospitalar, teria tirado proveito da situação para concretizar a tendência que já residia na sua mente. É o primeiro caso do género naquele hospital. Do mesmo modo, indagado sobre uma possível distracção da equipa de enfermagem que esteve de serviço, o enfermeiro-chefe, Carlos Monteiro, descartou tal possibilidade, porque o mesmo tinha sido assistido minutos antes do incidente. Também conferiu que o seu quadro clínico não inspirava cuidados que merecessem atenção especial, pois parecia lúcido e não levantava suspeitas de que iria atira-se janela abaixo. No entanto, para prevenir possíveis situações idênticas no futuro, o director-geral do hospital em questão assegurou que, doravante, serão reforçadas as medidas de controlo dos pacientes.

Depressão entre as possíveis causas

Do ponto de vista do psicológo clínico Claúdio Brandão, o acto pode ser qualificado como ‘suicídio anónimo’ derivado de possível “depressão” ou “transtorno bipolar”, já que o mesmo fazia “uso compulsivo de álcool”, o que, presumivelmente, o terá levado a decidir pôr fim à vida. “A sociedade não viu as necessidades básicas que este indivíduo tinha e como fuga proferiu tirar a sua própria vida. Para evitar casos similares, deve-se diminuir a pressão social em si, pois provoca algumas alterações de fórum psicológico, porque as necessidades de cada um se revelam insuficientes diante da demanda”, disse. Porém, apela à coesão no seio familiar como papel retro-alimentador, para evitar comportamentos do género.

“Cada membro desta família tinha de ser um elemento primordial para a saúde mental deste cidadão, visto que ele já tentou o suicídio em casa, veio aqui e consumou apenas o seu plano”, analisou. Ainda em torno do incidente, a psiquiatra Mercedes Duran conferiu que António Muzaba aparentava estar orientado e nada fazia prever que iria suicidar-se. Contudo, também presume que o conflito familiar e dificuldades sociais que enfrentava, uma vez que pesavam sob sua responsabilidade três esposas, associado à tendência impulsiva de consumo de álcool, nos últimos dias, terá contribuído para chegar o suicídio. Porém, em razão do incidente, a psiquiatra, de nacionalidade cubana, entende que o HRM, por ser um edifício com andares, não dispõe de condições para albergar pacientes com comportamentos do género.

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