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Empresários defendem redução da taxa de juro praticada pelos bancos

Alguns empresários ouvidos pelo Jornal oPaÍS defendem a redução, por parte dos bancos comerciais, das taxas de juros que nesta altura variam de 17 a 20%, afirmando que as mesmas em nada contribuem para o desenvolvimento da agricultura no país

Texto de: Borges Figueira

De acordo com o empresário Orlando Domingos, sócio gerente das empresas Valor de Empreendimentos e Cubata Hills, é necessário que o governo angolano crie condições que permitam ao sector produtivo ganhar um novo rumo. E essas condições passam, segundo ele, pela criação de um banco virado para o sector agrícola com taxas de juro bonificadas, com vista a apoiar o desenvolvimento do sector no país.

Acrescenta que, para que haja uma agricultura sustentável no país, é necessário que as infra-estruturas básicas estejam em pleno funcionamento, tendo citado o caso das vias de comunicação, que têm sido um dos principais constrangimentos, além da criação de um sistema agrícola destinado ao escoamento dos produtos do campo para os grandes centros de consumo, como são os casos das cidade de Luanda e do Lubango.

“Os países onde a agricultura é subsidiada pelo Estado, os subsídios (da produção até à comercialização do produto) são auto-suficientes. O mesmo não se pode dizer de Angola, onde os empresários ainda acabam por levar todo o fardo sozinhos, sem o apoio do governo.

Contudo, espero que o Estado possa assumir, nos próximos tempos, o seu papel neste processo para que tenhamos uma agricultura sustentável, pois grande parte dos empresários não tem capacidade financeira, sobretudo neste momento adverso da nossa economia”, afirmou.

Acrescentou ainda que não se pode pedir empréstimo nos bancos comerciais com as actuais taxas de juro que que eles praticam e variam entre os 17 e 20%.

É necessário que se apoie com urgência quem faz agricultura de subsistência (camponeses) uma vez que são eles que desenvolvem a agricultura, “porque a agricultura não é feita com grandes fazendas industrializadas, mas sim com as pequenas famílias, que devem ser apoiadas com formação, para poderem criar condições de ajudar os grandes produtores, completando assim o processo da cadeia produtiva”, sugeriu.

Por sua vez, o empresário do ramo das pescas, Luís Lourenço, defende igualmente o surgimento de uma nova instituição financeira capaz de atender aos empresários, sem burocracia.

No entanto, enquanto isso não acontece o empresário é apologista da redução das taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais. “Sabemos que eles respeitam directivas do Banco Nacional de Angola, mas mesmo assim consideramos que as taxas são muito elevadas. A actividade empresarial em Angola é de muito risco”, considerou.

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