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Ministério da Saúde demarca-se do pagamento de salários da hemodiálise de Benguela

O secretário de Estado da Saúde para a área hospitalar, altino Matias, negou que o Ministério da Saúde tenha contraído dívidas com os trabalhadores dos centros de hemodiálise dos municípios de Benguela e do Lobito, tutelados pelo Instituto Nacional do rim, cujos trabalhadores estão sem salário há seis meses

O secretário de Estado da Saúde fez essa declaração durante uma conferência de imprensa realizada pelo Ministério da Saúde, em função da informação que chegou ao mass media que dá conta de incumprimento no pagamento de seis meses de salário aos trabalhadores dos centros de hemodiálise do Lobito e de Benguela.

“Importa dizer que o Instituto Nacional do Rim é uma empresa privada que presta serviços ao Estado e que tem dado assistência a duas unidades: os centros do Lobito e de Benguela”, disse. O responsável deixou claro que o Ministério da Saúde não tem culpa no atraso do pagamento dos salários dos trabalhadores dos dois centros, uma vez que o Centro de Hemodiálise e o Instituto Angolano do Rim são instituições privadas, que prestam serviços ao Estado. Na unidade do Lobito assistem 122 pacientes e na de Benguela 138.

A responsabilidade salarial, voltou a frisar, é do Instituto, e apesar da situação financeira que o país atravessa, o Ministério da Saúde tem, através do Ministério das Finanças, feito as cabimentações dos pagamentos nos últimos meses. “Nós podemos inclusive dizer o que já foi pago durante este ano: em Fevereiro foram disponibilizados 43. 257. 513 Kz e, em Março, 86.000.515 Kz.

Já em Abril, 39.450.803 Kz s, em Maio 26.880.293 Kz. Já estão confirmadas as ordens de saque referentes aos meses de Maio e Junho, que devem ser pagas a qualquer momento, sendo uma de 43.000.680 Kz e outra de 45.000.158 Kz”, garantiu.

“Não creio que com esses valores disponibilizados as empresas pudessem pagar todos os salários, mas ter seis meses por falta de pagamento e ainda a empresa vir a público dizer que não recebeu qualquer pagamento, isto é muito é grave”, acrescentou. Altino Matias afirmou que o problema fundamental está do lado da empresa e o Ministério da Saúde não quer entrar na gestão dos referidos centros.

Seis meses sem ver a “cor do salário”
De recordar que no passado, a 28 de Julho, o Jornal oPaÍS noticiou que os mais de 200 funcionários dos centros de hemodiálise dos municípios de Benguela e do Lobito, tutelados pelo Instituto Nacional do rim, reclamavam de seis meses sem salário, tendo o último pagamento sido feito em Dezembro de 2017.

os pacientes lamentam o facto e mostram-se solidários com a causa dos profissionais Segundo os funcionários só não paralisaram as suas actividades até ao momento como forma de pressionar a entidade empregadora, porque temem pela vida dos pacientes.

Perto dos seis meses sem ver a cor do dinheiro, o que os move para estar todos os dias naquela instituição é o “amor que têm pelos pacientes”, já que estes podem perder a vida. uma funcionária que preferiu o anonimato, em conversa com o Jornal oPaÍS mostrou-se agastada com a situação que se arrasta desde Dezembro, tendo lamentado, por outro lado, a falta de informação por parte do Instituto Nacional do rim.

todavia, caso não lhes sejam pagos os ordenados, embora já o tivessem feito em 2017, os trabalhadores prometem novamente paralisar as suas actividades, pondo, com o gesto, em causa a vida de duas centenas de pacientes nas clínicas de Benguela e Lobito. os trabalhadores garantem que os atrasos estão a ter reflexos negativos nas suas vidas. “Não consigo pagar a escola do meu filho e vivo de ajudas da minha família.

outra vez, perguntaram-me porque é que estou sempre a pedir-lhes dinheiro se todos os dias de manhã cedo saio para trabalhar. Não tive o que responder”, ressalta outro funcionário. Entretanto, em Novembro de 2017, conforme noticiara oPaÍS, Jesus rasgado, administrador do Instituto, revelara à imprensa que a dívida relativa a 2017 era superior a 1 bilhão de Kwanzas, tendo o Ministério das Finanças liquidado apenas 260 milhões de Kwanzas.

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