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Províncias de Luanda e Huíla no topo da discriminação contra os albinos

Luanda, segundo a associação de apoio aos albinos de angola (4aS), que poderia ser exemplo para as outras províncias, dado o mosaico cultural de cidadãos de vários hábitos, origens e nacionalidades, ainda regista casos de pessoas que não aceitam partilhar espaços públicos com albinos

Texto de: Domingos Bento

O presidente da Associação de Apoio aos Albinos de Angola (4AS), Domingos Vapor, disse, ontem, que Luanda e a Huíla são as províncias do país que continuam a registar preocupantes casos de discriminação contra pessoas albinas.

Segundo o activista, o nível de preconceito contra os albinos nestas parcelas do território nacional é visível em vários locais, como nas repartições públicas, nos táxis, nas ruas e em outros locais de grande afluência. Luanda, conforme explicou, que poderia ser até um exemplo para outras províncias, dado o mosaico cultural de cidadãos de vários hábitos, origens e nacionalidades, ainda regista casos de pessoas que não aceitam partilhar espaços públicos, como acentos nos táxis, com pessoas albinas, invocando argumentos “descabidos”.

“Tivemos um caso de um senhor que não quis sentar-se no táxi ao lado de um albino. As pessoas repudiaram essa atitude, mas mesmo assim ele não aceitou e preferiu descer da viatura. Dizia o senhor que os albinos roubam a sorte dos outros. Parece caricato, mas são coisas que ainda acontecem e com muita frequência. O que é lamentável”, deplorou.

De acordo com Domingos Vapor, actualmente a sua organização está a fazer uma recolha dos casos de discriminação contra pessoas albinas para, posteriormente, colocar à disposição das autoridades e da sociedade, para o seu devido tratamento e reflexão.

Porém, embora esteja ainda em curso o processo de auscultação, contagem e avaliação, de todas as actividades da Associação 4AS referentes aos primeiros seis meses do ano, o responsável assegura que os dados preliminares indicam que Luanda e Huíla são das províncias que vêm registando maiores números de casos de discriminação contra os albinos.

“Como é evidente, não temos representantes em todo o país. Mas das províncias onde estamos representados a maior preocupação são a Huíla e Luanda. Contudo, continuamos a fazer o balanço das actividades e  qualquer momento vamos poder apresentar à sociedade”, frisou.

Descriminação até nos concursos públicos

Para Domingos Vapor, a discriminação contra as pessoas albinas poderá ter o seu fim quando houver equidade em termos de oportunidades sociais como emprego, educação e até mesmo o acesso aos cuidados e tratamentos de saúde, dada a especificidades da pele deste grupo de indivíduos.

Segundo o activista social, em muitos casos, os albinos, na hora de concorrerem a vagas de emprego, mesmo que estejam doptados de ferramentas e de capacidades técnico-profissionais, ainda são postos de lado por causa da sua condição de pele. Essa situação responde pelo acentuado número de albinos desempregados, mal resolvidos e que acabam por encontrar nas ruas, por via das esmolas, a única forma de sobrevivência.

No seu entender, essa forma de olhar as pessoas albinas, com redução, faz com que muitos ainda continuem a ter os seus associados como seres estranhos, e que não podem usufruir dos mesmos benefícios sociais. “Não queremos que nos deem as coisas de bandeja. O que solicitamos é o respeito e o cumprimento dos princípios da igualdade.

Nenhum ser humano é maior ou melhor que o outro. Por isso, as oportunidades devem ser dadas de igual modo”, defendeu.

Albinos com dificuldades na compra de medicamentos

Por outro lado, o presidente da A Associação de Apoio aos Albinos de Angola pediu ainda à sociedade que apoie os albinos que padecem de cancro e de outras doenças da pele, que não fazem tratamento por falta de medicamentos ou condições financeiras para tal.

De acordo com Domingos Vapor, neste tempo de crise, em que grande parte das famílias enfrentam problemas financeiros, muitos albinos têm visto a “vida por um fio” por não conseguirem custear as despesas relativas ao tratamento.

“Naquilo que podemos, temos feito alguma coisa para ajudar os nossos associados. Mas precisamos, de facto, da ajuda da sociedade para manter vivas essas pessoas. Precisamos de cremes, protectores solares, roupas, chapéus e de outros meios para ajudar.

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