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Herberto Xá-Kimona Agostinho: Grupo HXA vai lançar uma nova marca de produtos alimentares

No mercado há 15 anos, o Grupo HXA, liderado por Herberto Xá-Kimona Agostinho, é responsável por um grupo de empresas com actividades em várias áreas de negócio da economia nacional, desde o comércio, construção civil e obras públicas, prestação de serviços e saúde. Com uma facturação anual a rondar os Kz 2 mil milhões, mais de 1000 postos de trabalho directos e 3 mil indirectos, o grupo prepara-se para lançar três novos produtos e serviços no mercado: a rede de farmácias de proximidade KYAMBOTE a plataforma PMELINK e relançar a marca de produtos alimentares Xyami

Texto de: Borges Figueira

Qual é o foco do grupo empresarial HXA?

Além da visão comercial, o grupo HXA nasce de uma vontade de contribuir para o desenvolvimento do país e melhoria das condições de vida dos cidadãos. Como angolano que sou, após um longo período de vivência longe do país percebi que era chegada a hora de voltar trazendo a técnica aprendida e experiência acumulada para o país, dando essa contribuição através do trabalho que tenho estado a desenvolver com a ajuda de pessoas que em muito têm contribuído para que seja possível a realização e concretização do que se alcançou até ao momento.

E é nesta fase que cria o grupo HXA?

Sim, mas é importante sublinhar que não começámos como grupo. O que se fez, com base na experiência adquirida, foi criar a marca Xyami, que era uma marca de produtos alimentares, nomeadamente arroz, açúcar, feijão, fuba e outros produtos de referência no mercado. Tudo isso aliado a uma necessidade de contribuir para o desenvolvimento do país no pós-guerra, e de se criar uma identidade de uma marca de produtos alimentares nacionais.

Este projecto estava revestido de uma importante componente social?

Sim! Aliás, como referi de início, mais do que a vontade de fazer negócios e retirar só dividendos da sociedade, sou movido pela vontade de contribuir para o crescimento do nosso país. Além da componente social, na medida que garantíamos que estes produtos da cesta básica estivessem mais disponíveis, nós enquadramos esta marca a vários projectos sociais, onde os consumidores, ao comprarem o produto estavam a fazer doações directas a centros de acolhimento e instituições afins.

E hoje, com alguma produção nacional, pretende relançar a marca Xyami?

Sim! Neste momento estamos a redefinir estratégias para o relançamento da marca, o que nos faz acreditar que muito brevemente voltaremos a colocar a Xyami no mercado, afirmando-se como uma marca nacional de referência alimentar, até porque constitui uma importante forma de promover a produção nacional, reduzir as importações e contribuir no processo de diversificação da economia. Nós temos a marca regis-tada, sob nossa patente, nos Estados Unidos e na Europa e em caso de excedente, poderemos cogitar a possibilidade de exportar para outros mercados.

Suspensa a circulação da marca Xyami no mercado, quais são as unidades de negócios que sustentam o grupo HXA?

Os três principais sectores de negócio da HXA no momento são os das infra-estruturas, saúde, logística e distribuição. No sector das infra-estruturas, que de momento está a passar por um período menos bom devido à crise, temos uma parceria com várias empresas europeias, tendo como referência a SÁ MACHADO ANGOLA, trazida para cá por nós e que sedimentam uma rede autosuficiente no sector da construção, tendo nos últimos três anos agregado uma empresa francesa -RAZEL ANGOLA- líder no sector das infra-estruturas (redes viárias, pontes, energia, água, agricultura, aeroportos, portos) e que temos tido dificuldade para introduzir no mercado, por causa dos habituais obstáculos que se colocam aos empresários no nosso país.

No sector da Saúde temos uma importadora e distribuidora e pretendemos entrar agora para o sector do retalho, lançando a rede de farmácias Kyambote, que será uma rede nacional e estruturada, dedicada especialmente à venda de medicamentos de qualidade reconhecida e de baixo custo, onde temos a importante missão de colaborar com o Estado no grande desafio de redução dos preços dos medicamentos. No sector da logística e distribuição possuímos algumas empresas que se dedicam à importação e comercialização de economato e consumíveis de escritório. Todas estas empresas, que funcionam um pouco na lógica da economia colaborativa, funcionam sob alçada do grupo HXA, onde encontram auxílio administrativo, logístico e financeiro.

O grupo funciona como uma incubadora?

As empresas são criadas dentro do grupo e iniciam com o nosso suporte administrativo e financeiro. Elas encarregam-se sobretudo da componente do know-how e da tecnologia e estão muito mais voltadas para o mercado enquanto nós, grupo, tratamos das questões administrativas e financeiras. Nós criamos todas as condições para que elas iniciem, criamos a empresa e todos os factores que vão garantir a sua manutenção. Quase sempre ficam nas nossas instalações, onde proporcionamos todo suporte logístico e toda a informação relacionada com o conhecimento de mercado e redes de contactos.

Ou seja, elas começam aqui dentro e depois, quando cumprida a etapa de maturação, já com autonomia administrativa e financeira elas ganham vida própria. Cumprida a étapa de maturação, elas abandonam o grupo HXA?

Os nossos negócios são desenvolvidos numa lógica de economia colaborativa, criamos sinergias dentro do grupo para satisfazer as necessidades que identificamos no mercado. É importante sublinhar que não somos sócios silenciosos, nós investimos naquilo que for o projecto e depois participamos na gestão do próprio activo, não ficamos só a ver e a recolher os dividendos. Nós participamos em todo processo, antes, durante e depois de cumprida a fase de maturação.

Têm encontrado muitas dificuldades neste processo?

Sim. Neste momento estamos a viver uma situação caricata com uma das nossas associadas – a RAZEL ANGOLA- filial da RAZEL BEC FRANÇA, a terceira maior empresa de infra-estruturas no mercado francês -uma entidade com uma capacidade financeira e técnica muito grande. Embora haja necessidade destes produtos e serviços no nosso mercado, ainda temos vindo a enfrentar bastantes dificuldades de angariar negócios para esta associada, mas estamos a fazer de tudo para mantê-la em Angola, pois acreditamos na sua capacidade técnica, capaz de contribuir positivamente para o desenvolvimento qualitativo do nosso país. Num mercado onde a taxa de “mortalidade empresarial” é muito alta, como o grupo tem lidado com isso? É verdade.

Os dados indicam que a taxa de “mortalidade empresarial” é muito alta e não somos alheios a isso. Apesar dos estudos e toda a informação complementar que se possa disponibilizar ao empresário, o desenvolvimento de um negócio acarreta sempre riscos e nós não estamos completamente isentos desta realidade. O factor chave reside na busca constante de novas oportunidades e da diversificação do nosso “core business” ajustando-nos às circunstâncias do mercado. Por exemplo, antes da crise a nossa taxa de insucesso rondava os 15% sendo certo que 85% dos investimentos foram concretizados.

Mesmo em tempo de crise não houve alteração nesta cifra?

Acreditamos que somos fortes e resilientes. Por isso, apesar do contexto, estejamos a crescer a um ritmo anual de 10%. O slogan do nosso grupo é “somos positivos e o céu é o limite”, o que nos permite acreditar, como angolanos que somos, que nós também somos capazes e que a fase actual de dificuldade económica será superada. Nós apostamos fortemente no perfil dos nossos profissionais, e isso tem resultado muito bem, prova é que mesmo no actual contexto, de aperto, nós estamos a lançar este ano três novos produtos, nomeadamente: a rede de farmácias Kyambote, a PMELINK ANGOLA e o relançamento da marca Xyami.

Em que consistem estes produtos ou serviços?

A Kyambote é uma rede de farmácias de bairro que tem como principal objectivo a garantia de venda de produtos farmacêuticos de qualidade a baixo preço a populações que habitualmente não possuem condições de adquirir nas unidades farmacêuticas das regiões urbanas.

A ideia é contribuir no fornecimento de serviços primários de Saúde, aqui na vertente do acesso aos medicamentos. Por sua vez, a PMELink Angola é uma plataforma de gestão de custos com opção de compras online, que permite às entidades públicas e privadas um melhor controlo das despesas e dos stocks. A Xyami, conforme referi, é uma marca de produtos alimentares, que existe há 18 anos e será agora relançada no mercado.

Qual foi a facturação no ano passado e a previsão para este ano?

No ano passado facturamos Kz 2 mil milhões e estamos a prever manter este valor agora em 2018, sobretudo porque estamos numa fase de investimentos. Para o próximo ano é que auguramos um crescimento substancial, considerando os resultados dos produtos que estão agora a ser lançados ao mercado. Gostava de sublinhar que o grupo tem no total mais de 1000 postos de trabalho directos e 3 mil indirectos, sendo a grande maioria, cerca de 98%, nacionais.

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