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Ruanda 24 anos depois do Genocídio, um exemplo para África

As manchas sangrentas do genocídio ainda definem a imagem do Ruanda no pensamento de muitos, porém, a transformação pela qual o país passou é exemplar e positivamente inspiradora. O embaixador extraordinário e plenipotenciário da Ruanda em Angola, Alfred Kalisa, fez este pronunciamento em Luanda, por ocasião do Dia da Libertação do país, assinalado a 4 de Julho

Texto de: Iracelma Kaliengue

O diplomata exulta o país pelos ganhos ao longo dos 24 anos de libertação, desde o fim do genocídio que envolveu as etnias hútus e tutsis com mais de um milhão de ruandeses massacrados em exactos 100 dias.

O diplomata declarou que a maioria das vítimas eram actores produtivos da economia e que o povo ruandês não tinha outra escolha senão unir coragem e ultrapassar as divisões étnicas para a reconstrução do seu país. Lembrou que não foi fácil para um país que não tinha grandes recursos naturais, “os desafios foram de escolher as prioridades, mas nessa altura tudo era prioridade.

No entanto, todo o mundo concordou que era preciso punir os autores do genocídio e socorrer os sobreviventes”, explicou. Alfred Kalisa fez um balanço positivo sobre o progresso do país, tendo destacado o alcance de resultados satisfatórios. “O Governo se esforçou muito para criar união e reconciliação.

Não conhecemos mais tutsis ou hutus, todos somos ruandeses. Não há diferenças”, frisou. Disse ainda que para atrair os doadores e investidores estrangeiros o Governo começou a combater a corrupção e a abraçar uma gestão transparente em todos os níveis da administração.

Em 2006 a evolução do país passou a mostrar dados impressionantes: mais de um milhão de ruandeses saíram da pobreza; o acesso à saúde e à educação é hoje uma realidade; um boom imobiliário transformou a capital Kigali, e pelo menos dois terços da população do país estão abaixo dos 25 anos, tornando o potencial para a força de trabalho do Ruanda extremamente promissor.

“Não temos uma receita mágica, tudo isso é resultado da liderança visionária do Presidente Paul Kagame e o seu desempenho para cumprir os objectivos do plano de desenvolvimento”, frisou.

Alfred Kalisa explicou que, do ponto de vista social e económico, o Ruanda é um exemplo para os países africanos, em muitos sectores. Em 2010, a taxa de crescimento atingiu 8%, graças às reformas liberais do Governo.

Na base estão as reformas políticas que impulsionaram o sector económico do Ruanda, uma vez que alguns processos de investimentos foram facilitados, com a rapidez na criação de empresas e o combate efectivo à corrupção no país.

Além disso, os apoios recebidos durante muitos anos da comunidade internacional resultaram em sucessos no combate à malária e ao analfabetismo. 90% da população também tem seguro de saúde.

Cooperação Internacional

No âmbito da cooperação africana e regional, o embaixador acredita na abertura das fronteiras, pelo facto de Ruanda ser um país que conta com o turismo como principal potencial. No quadro da cooperação regional, o Ruanda assume a presidência da União Africana por intermédio do presidente Paul Kagame.

Sobre a cooperação com Angola, o embaixador declarou ser promissora, tendo afirmado que a decisão tomada por Angola de abrir a sua Embaixada no Ruanda e a publicação do Decreto Presidencial de 19 de Junho sobre a isenção de vistos aos cidadãos ruandeses é mais um sinal que atesta a boa relação existente.

Lembrou ainda que foram assinado entre os dois países acordos aéreos que vão, a curto prazo, facilitar a ligação entre Kigali e Luanda.

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