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Grandes potências fazem oferta ao Irão para salvar acordo nuclear

Rússia, China e os países europeus reuniram-se nesta Sextafeira (6) em Viena, onde confirmaram o seu compromisso e vontade de manter a República islâmica conectada à economia mundial, apesar das ameaças dos Estados Unidos.

Os chefes de diplomacia dos cinco países que se mantêm no acordo nuclear com o Irão (Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) apoiaram o direito do Irão a exportar petróleo, como parte de uma lista de 11 objectivos definidos, hoje, numa reunião com o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif. Num comunicado conjunto, Zarif e seus homólogos ratificaram o seu compromisso com o acordo e seus “dividendos económicos” para o Irão, país que volta a sofrer uma turbulência financeira após o anúncio do presidente Donald Trump.

Apesar das ameaças de Washington a companhias e bancos que continuarem a fazer negócios com o Irão, os cinco países asseguraram que continuariam a promover o investimento e comércio com o país. Também expressaram a sua vontade de “preservar canais financeiros eficazes com o Irão, promover as coberturas de crédito e as comunicações marítimas, terrestres, aéreas e ferroviárias, um apoio claro e eficaz para os operadores económicos que negociam com o Irão”. “Essas iniciativas buscam preservar o acordo nuclear que é do interesse de todos”, indica o comunicado lido pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

‘Vontade de resistir’

Depois da reunião, o chanceler Javad Zarif celebrou a “vontade política de resistir” aos Estados Unidos. “O que constatei durante esta reunião é que todos os membros, incluindo os três aliados [de Washington: Berlim, Paris e Londres], se comprometeram e têm a vontade política de resistir aos Estados Unidos”, declarou Zarif ao fim da reunião, segundo a agência de notícias iraniana Fars. “Fizemos uma oferta que consideramos atraente” para que o Irão continue a negociar com empresas europeias, apesar do anúncio de retomada das sanções americanas, declarou à imprensa o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Mass, antes do início da reunião na capital austríaca.

O acordo histórico de 2015 submete o Irão a um estrito controlo das suas actividades nucleares com o objectivo de impedir que o país se dote da arma atómica. Em troca, seriam suspensas as sanções internacionais contra o Irãa com a perspectiva de novos investimentos. À saída dos americanos do pacto, anunciada em Maio, somaram-se fortes ameaças de sanções contra todos aqueles que fizerem negócios com Teerão. Depois de ter ameaçado, em várias ocasiões, retomar as suas actividades de enriquecimento de urânio, o Irão tenta obter compensações económicas por parte dos europeus diante da retirada de Washington. Impossível compensação total “Esta não será a última discussão” sobre este tema com o Irão, admitiu Mass, reconhecendo que os europeus “não podem compensar tudo”. “Mas querem mostrar ao Irão que uma retirada teria mais desvantagens do que se manter” no acordo, acrescentou. Desde que o governo Trump denunciou o texto, a perspectiva de retorno das sanções americanas fez os investidores estrangeiros começarem a fugir.

O fabricante automotivo francês Peugeot e o armador dinamarquês de navios petroleiros Maersk Tankers se preparavam para deixar o país. A francesa Total pode retirar-se de um projecto de desenvolvimento do grande campo petrolífero iraniano Pars Sud. Teerão não esconde a sua impaciência. “O tempo de negociações está a acabar”, advertiu, no início de Junho, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani. O ayatolah Ali Khamenei exigiu uma garantia para as vendas iranianas de petróleo e para as transacções comerciais. A Europa encontra-se, assim, submetida a uma dupla pressão: a de Teerão, que precisa de investimentos estrangeiros para recuperar a sua economia e a de Washington, que pode impor sanções contra as suas empresas e privá-la do acesso ao mercado americano. Prova de que há urgência – as primeiras sanções americanas serão reimpostas em Agosto – é que Rouhani esteve em Genebra e em Viena esta semana, onde defendeu que o acordo seja salvo. “Enquanto for possível para o Irão, continuaremos a fazer parte do acordo. Não abandonaremos o JCPOA, com a condição de que possamos nos beneficiar dele”, afirmou o presidente iraniano, Hassan Rouhani.

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