loader

Proibição de venda de álcool nas bombas “encalha” NA DNVT

Entre os condutores, os pontos de vista são divergentes quanto à implementação de uma legislação que proiba a venda de álcool nas bombas. Logistas afirmam que a medida mataria o negócio, por ser o produto mais lucrativo, enquanto sociólogo alerta para que o interesse económico não se sobreponha à vida das pessoas

POR: Milton Manaça

A proposta revelada há mais de três anos pela Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT), visava diminuir o índice de sinistralidade rodoviária nas estradas do país, mas até ao momento nenhuma medida foi tomada e os condutores continuam a fazer o uso de bebidas alcoólicas a seu belo prazer nas lojas de conveniência das bombas de combustíveis, principalmente às noites. OPAÍS fez uma ronda por algumas bombas de Luanda, começando pelo distrito urbano do Benfica, onde foi possível constatar a aglomeração de vários cidadãos, dentro e fora dos estabelecimentos, principalmente condutores, a maioria dos quais desconhecida, a fazer consumo de álcool. Eram precisamente 19:25 min quando indagamos Alexandre Afonso, condutor há cinco anos, sobre as razões que o levavam a fazer o consumo de cerveja mesmo sabendo que teria de dirigir a sua viatura.

Alexandre Afonso reconhece que o uso do álcool diminui a sua capacidade de reacção ao volante, mas como o que não é proibido é permitido, o interlocutor disse que apenas procura manter cautela para caso seja interpelado na estrada e solicitado a usar o bafómetro. Sobre a iniciativa que visa a proibição do uso de álcool nestes locais, Afonso disse que seria benéfica, porque seria um factor inibidor para os condutores e que contribuiria para a diminuição de acidentes nas estradas. “Eu, por exemplo, só parei aqui para esperar por alguém e se não vendessem álcool estaria a consumir outra bebida. Por isso, concordo com que se devia implementar a lei”, disse.

Manuela Capitango, condutora há nove anos, partilha da mesma opinião e diz que numa primeira fase poderia começar-se com a restrição aos fins-de-se mana por ser o período em que se regista mais enchentes nas bombas. No momento em que interagia com a nossa equipa, Manuela aguardava pela boleia do marido que, segundo ela encontrava-se a “tomar uns copos em parte incerta. Fala- se que Sexta-feira é dia do homem, então não sei quanto tempo estarei à espera dele”, explicou. Numa das bombas da Urbanização Nova Vida, encontramos, em convívio com amigos, António dos Santos, detentor de uma carta de condução há mais de 10 anos. É também um dos que se mostra favorável à aplicação da medida por corroborar que é uma das causas de acidentes nas estradas. “Sabemos que há outros factores que contribuem para os acidentes, mas se proibissem a venda de álcool nas bombas estaríamos a contribuir para diminuir o índice de mortes nas estradas”, declarou o cidadão.

“Solução está na educação”

Entretanto, nem todos concordam que a iniciativa da DNVT é a solução para a eventual diminuição dos índices de acidentes. O condutor José Eduardo, por exemplo, pensa que a consciência de cada indivíduo é que deveria ditar as regras. “Temos que trabalhar primeiro na educação das pessoas para que elas saibam os limites e não tomarem medidas de repreensão como esta. Vamos educar os mais novos para que não tenhamos necessidade de punir os adultos”, disse. Reforçou dizendo que boa parte dos automobilistas desconhece os limites do álcool que deve conter no sangue, razão por que defende a aposta na educação. “O problema é que deixamos sempre a parte pedagógica de lado”, atestou. Também João Dumba é de opinião que as autoridades devem potenciar outros mecanismos de controlo para desencorajar os condutores a consumir álcool quando estão ao volante apontando como exemplo o uso do bafómetro. O interlocutor acredita que “se até agora não foi feito nada é porque quem deu a iniciativa viu que isto não tem pernas para andar”.

DNVT remete-se ao silêncio

No dia 21 do mês de Junho, OPAÍS contactou o porta-voz da DNVT, Angelino Serrote, para nos falar sobre o assunto, mas na ocasião referiu que nada podia fazer naquele instante por se tratar de um dia de fim-de-semana (Sábado), tendo solicitado que voltássemos a ligar na Segunda-feira.Quando contactado no dia combinado, Angelino Serrote pediu que nos deslocássemos a sede da DNVT na Quarta-feira, 25 de Junho, onde fomos recebidos pelo inspector-chefe, Hugo Ediberto. Entretanto, este oficial disse que não tinha orientação para falar sobre o assunto, acrescentando que a entrevista só seria dada mediante uma solicitação por escrito, o que fizemos no mesmo dia.Todavia, até ao momento não tivemos nenhuma resposta da parte desta instituição. Por duas ocasiões, em dias diferentes tentamos contactar por telefone Hugo Ediberto, mas este não atendeu as nossas chamadas.

Últimas Notícias