Professores desactivados da Huíla ameaçam uma nova manifestação

Depois de terem feito a segunda marcha de protesto no último Sábado, os professores da província da Huíla que se encontram desactivados no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE) desde o último mês de Março prometem voltar a sair à rua na próxima Terça-feira

Texto: João Katombela, na Huíla

Segundo o secretário provincial do Sindicato Nacional dos Professores, João Francisco, a realização da terceira passeata que servirá para exigir a reinserção dos seus filiados nas folhas de salários, pelo facto se encontrarem há quatro meses sem os seus ordenados, terá de acontecer.

Ao falar depois da manifestação que percorreu algumas artérias da cidade do Lubango, em que participaram cerca de duas centenas de professores, o secretário garantiu que a próxima está condicionada à chegada do Presidente da República, João Lourenço, que virá trabalhar na província ainda esta semana, conforme anunciou à imprensa nacional. “Tão-logo seja oficializada a chegada do Presidente da República, como está a ser anunciado por alguns órgãos, vamos voltar a sair à rua, esperando o Presidente no aeroporto” assegurou.

O Presidente da República tem viagem agendada à Huíla para o dia 11 de Julho, onde vai orientar a sessão da Comissão Económica do Conselho de Ministros. O sindicalista informou que, tal como no Sábado passado, as palavras de ordem continuam a ser as mesmas, “exigindo a demissão do ministro das Finanças, Archer Mangueira”.

João Francisco adiantou que o pedido da “cabeça” de Archer Mangueira pelos professores surge em consequência dos pronunciamentos do mesmo durante a sua estadia no Lubango. Na cidade do Lubango, na semana passada, o responsável das Finanças teria dito desconhecer a existência de funcionários com atrasos salariais. Por outro lado, explicou que os professores desactivados só poderão ser reenquadrados se cumprirem os requisitos legais, apresentando os documentos em falta, mesmo sem dizer quais.

As explicações dadas pelo ministro das Finanças aos órgãos de comunicação social da província, e não só, não agradaram aos professores, tendo sido considerado pelo secretário do SINPROF como insensível.

O sindicalista esperava do ministro das Finanças um discurso mais animador para aquelas famílias que se encontram no quarto mês sem salários. “Os professores já venderam os seus haveres e o ministro vem dizer isso? Um ministro com esse tipo de discurso não serve para a nova Angola que se quer” afirmou.

Por esta razão, o responsável da organização que tutela os interesses dos professores disse que desde Sábado que estão a gritar em bom-tom, que o ministro deve demitir-se. Tencionam voltar a fazê-lo na presença do Presidente da República.

Promessas do secretário do MPLA não inspiram confiança

O Comité Provincial do MPLA na Huíla realizou no último Sábado um encontro com os seus militantes, na qual foi feita a apresentação pública da convocatória do VI Congresso Extraordinário. Citado pela Angop, o 1º Secretário Provincial do MPLA, João Marcelino Tyipinge, garantiu que os salários dos professores poderão ser pagos ainda este mês de Julho.

Tendo reconhecido a insatisfação dos professores desactivados do sistema, explicou ainda que o Governo marcou passos rumo à regularização dos respectivos salários em atraso, estando apenas a concluir alguns actos administrativos para que, dentro de dias, possa incluir todos nas folhas.

Para o Tyipinge, aventa-se a possibilidade de haver prova de vida para apurar se há ou não “professores fantasmas”. Entretanto, os professores, de acordo com João Francisco, “não caíram nesta conversa”, dizendo que tais promessas não inspiram confiança, já que tudo depende do Ministério das Finanças.

“É um discurso desencontrado, porque não corresponde com o que foi dito recentemente pelo ministro das Finanças. Por outro lado, o 1º Secretário Provincial do MPLA é também o governador, e se quisesse resolver o problema já o teria feito.

Essas promessas não nos vão fazer mudar de ideias, vamos apenas aguardar pela saída das folhas de salário, se assim não acontecer com pelo menos 95% dos professores desactivados, partiremos para mais uma manifestação”, reforça.