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Carta do leitor: Calma de Cacimbo

Prezado director, Nós, em Angola, somos mesmo um povo especial. Ando por Luanda e pelo país, e por todo o lado só caio em buracos nas estradas e ruas, mas como estamos no Cacimbo, até parece que estamos no paraíso.

POR: Carlos Pestana
Luanda

O Governo repete que está a reparar as estradas, dá prazos e tudo. Nós mesmo que nunca vimos um só prazo a ser cumprido no nosso país, isso não é azar? Quero só ver. Mas também já sei que terão sempre desculpas. Se não faltaram os dólares é porque o técnico ficou doente, ou porque afinal as terras se moveram, ou afinal tinha tubo de água na rua. Algumas vezes até dizem que a obra foi sabotada pela Oposição. Não sei quem costuma a ver trabalhos de limpeza das sargetas, eu não costumo ver. Assim, quando começar a chover, haverá outra vez os mesmo problemas. Nunca se aproveita o Cacimbo para fazer coisas de jeito, só propaganda para nos adormecer. Com a calma deste cacimbo, porque o povo ainda está a dar o benefício da dúvida ao Presidente da República, os seus ministros e governadores estão a aproveitar a paz para nada fazerem. É uma pena, porque já estou a ver que se chover muito teremos outra vez muitos problemas. Até me espanta que durante o tempo das chuvas não prepararam planos para atacar em força os problemas. Não se admite o estado das estradas interprovinciais, é uma vergonha para o país. Hoje ninguém mais fala que foi passar o fim-de-semana no Huambo ou em Benguela, se fala lhe chamam de aventureiro. Isto é que é vergonha mesmo dentro do nosso país. É uma pena, daqui a pouco acaba o cacimbo e o nosso sofrimento não vai regressar, vai só aumentar, nunca acabou.

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