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Caso aGT: Nickolas desmentido pelo subordinado

Ouvido ontem, o principal réu do conhecido “Caso aGT”, Nickolas Gelber Neto, que vem acusado de ter projectado um esquema de sonegação de uma dívida fiscal ao Estado angolano, negou parte dos factos, mas depois veio a ser desmentido pelo réu Txifutxi Sambo, seu subordinado, durante uma acareação

POR: Romão Brandão

Sereno, alto, tom de pele escuro e sabendo pronunciar bem as palavras, Nickolas Gelber Neto tem senso de humor, tendo inclusive concordado, no princípio da sua audição, que gostava de conhecer a meritíssima juíza, Josina Falcão, em condições diferentes (em que ele não seria réu e ela juíza). (In)Felizmente o destino achou por bem juntar Josina Falcão e Nickolas Neto na 6ª Secção, da Sala dos Crimes Comuns do palácio Dona Ana Joaquina, sendo o último indivíduo acusado de corrupção passiva, fraude fiscal, associação de malfeitores e branqueamento de capitais das dívidas fiscais que tinha a empresa Tecnimed ao Estado angolano.

Josina vestia uma beca preta, dos magistrados, e Nickolas trajava farda castanha clara, do Serviço Prisional. O réu começou por esclarecer que não orientou nenhum dos co-réus a reuzir a dívida fiscal da empresa Tecnimed e que estava ali porque Txifutxi, quando do seu interrogatório pelo SIC citou, por acaso, o seu nome. Disse ainda que enquanto director fiscal regional nunca pegou nalgum processo da Tecnimed, pelo que todas as ordens de revisão de um processo deu-as por escrito ou eram feitas mediante pedido de reclamação do contribuinte. A Tecnimed estava na situação que eles consideram “vermelha”, prestes a ter as suas contas penhoradas. Reconheceu ter sido ele quem entregou o número de telefone de Gilson Santiago a Francisco Olo, para caso este e sua equipa tivessem dificuldades em contactar a empresa.

O contacto com Francisco Olo foi nestes termos e não propriamente para baixar orientação de actuarem na empresa em questão, pois o réu fez questão de enfatizar que toda a orientação que baixava fazia-o por escrito. Entre várias explicações técnicas de como se procede o seu trabalho, factor que, dada a experiência que tem fez questão de detalhar, Nickolas acabou desembocando naquele que diz ser o único negócio que tinha com Txifutxi. “Que tipo de negócio?”, perguntou a juíza. O réu explicou que conversou com Francisco Olo sobre a necessidade que tinha de trocar os seus 50 mil dólares em Kz, e este arranjou-lhe Txifutxi, que veio a transferir Kz 24 milhões para a sua conta bancária. Apesar de Txifutxi ter transferido os Kz 24 milhões, supostamente para o câmbio dos 50 mil dólares, este último valor não lhe foi entregue.

Indagado sobre o motivo de não ter entregue os USD 50 mil, o réu disse que depois tinha sido nomeado a exercer um cargo de direcção na AGT, tinha muito trabalho e pouco tempo, da mesma forma que Francisco Olo, que devia receber aquela quantia, encontrava- se de viagem. Mais tarde, disse o réu, veio a descobrir que Francisco Olo evitava receber os 50 mil dólares, para garantir a sua protecção, isto é, o dinheiro seria uma espécie de suborno. Nickolas ascendeu a director, quando muitos outros chefes estavam na iminência de serem exonerados, dentre eles o próprio Olo, o que acabou acontecendo. Não tendo tempo de entregar o dinheiro, e nem lhe estando a ser cobrado, como disse, o réu retirou-o do banco e levou-o ao seu escritório, acabando por gastá-lo, todos os USD 50 mil, em viagens, fins-de-semana e hotéis. Para além de desfrutar dos dólares, gastou também os Kz 24 milhões em obras na sua residência.

História digna de filme

Chamado a pronunciar-se sobre as declarações do seu superior hierárquico, o réu Txifutxi Sambo disse não saber se era ele quem estava a mentir, “ou se o dr. Nickolas tem uma história digna de um bom filme”. disse que nunca existiram 50 mil dólares alguns, que era tudo invenção de Nickolas. os Kz 24 milhões foram transferidos para a sua conta no Banco Sol mediante concertação com Francisco olo (superior directo de Txifutxi), via telefone, na presença de Txifutxi. olo deixou uma lista de pessoas a contactar para a transferência de dinheiro e Txifutxi simplesmente cumpriu orientações. “Fiz um e-mail para todos eles a pedir a justificação da transferência, porque o Banco Sol assim pediu. Tenho como provar, se me deixarem abrir o e-mail.

Nickolas apresentou uma factura de compra de divisas”, acrescentou Txifutxi. diante desta declaração, a juíza pediu que se oficiasse o Banco Sol do Nova vida a fornecer a documentação justificativa dos movimentos da empresa vumbeco (do arguido Ngola Mbandi), da empresa Cardima (da co-arguida Celisa Francisco), da o&M( do co-arguido João de oliveira) e da Carbo Rubro (da co-arguida Soraia, esposa de Nickolas). a juíza pede ainda a cópia do e-mail enviado aos réus. Para finalizar, Txifutxi considera mentira quando Nickolas diz que nunca mais teve contacto com ele e com Francisco olo, porque depois da exoneração dos responsáveis, dentre os quais olo, foi o próprio Nickolas quem os contactou para os reconfortar, dizendo que deviam ficar calmos, pois a situação seria resolvida e seriam reenquadrados. Nickolas tentou rebater as declarações bombásticas de Txifutxi, porém a juíza pediu- lhe que tivesse calma, teria tempo para o fazer. o tribunal saiu para intervalo e no regresso, Nickolas voltou a ser ouvido.

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