“É necessário que o PR venha pelo menos uma vez por mês ao Lubango para termos a cidade limpa”

Os habitantes da cidade do Lubango, capital da província da Huíla, têm vindo a contestar a existência de amontoados de lixo em todos os cantos da urbe e arredores, uma situação que melhorou em vésperas da visita do Presidente da República, João Lourenço, que vai dirigir hoje, nesta província, a sétima sessão da Comissão Económica do Conselho de Ministros

POR: João Katombela, na Huíla

As elevadas quantidades de lixo têm deixado agastados os munícipes do Lubango. Vários são os apelos feitos por algumas entidades competentes visando encontrar uma solução. Porém, a situação agravou-se com a desistência de algumas empresas privadas que tinham sido contratadas para a recolha do lixo, no âmbito da terceirização deste serviço. Notícias veiculadas Segunda-feira, 9, por vários órgãos de comunicação social nacionais, indicam que o Presidente da República, João Lourenço, a partir de hoje, vai escalar a cidade do Lubango, província da Huíla.

Uma nota de imprensa dos Serviços de Apoio ao Presidente da República, enviada a OPAÍS, indica que na agenda da reunião estão inscritas questões de natureza essencialmente financeira, como o balanço do Plano de Caixa do Tesouro Nacional referente ao mês de Maio último, a proposta de Programação Financeira do Tesouro para o III Trimestre de 2018 e a Proposta de Plano de Caixa do Tesouro referente ao mês de Julho corrente.

Os membros da Comissão Económica do Conselho de Ministros vão também avaliar um memorando referente ao estado de evolução dos Projectos de Investimento Públicos definidos para as três províncias do Sul do país, designadamente Huíla, Namibe e Cunene. Segundo a nota, após a sessão da Comissão Económica, o Chefe de Estado cumprirá, no período da tarde, um programa de visitas a infra-estruturas públicas e a empreendimentos diversos, alguns dos quais vai inaugurar. O regresso do Presidente João Lourenço a Luanda será amanhã, Sábado, 14. Desde a última Segunda-feira, 9, o Governo Provincial da Huíla, encabeçado por Marcelino Tyipingue, mobilizou meios técnicos e humanos para a limpeza da cidade, bem como para a realização de alguns serviços de tapa buracos.

A título de exemplo, OPAÍS verificou que alguns destes serviços acabaram por defraudar os habitantes locais e enfurecê-los. Um dos casos prende-se com o largo do próprio Governo Provincial, cujo asfalto foi ontem lavado por uma equipa da Direcção Provincial de Energia e Águas, com recurso a camiões cisterna. Para alguns munícipes, a água com que o asfalto foi lavado escasseia em muitos bairros do Lubango, como é o caso do bairro do Kwaua, partes do Bairro Nambambe, e do Tchituno. À nossa reportagem, Francisco Jaime, morador do bairro da Tchavola, comentou que só se preocupam com a imagem da cidade quando se sabe que vem uma entidade, isto “é tapar o sol com a peneira”.

“Isso demostra que as atitudes que nós pensávamos que desapareceram no dia 23 de Agosto de 2017, aquelas práticas de 2017 para trás, vemos que ainda permanecem. Por quê que agora se preocupam em fazer uma coisa que antes nunca fizeram? É para ludibriar o Presidente”, considerou o lubanguense. Por sua vez, Inara Zacarias acredita que afinal é possível manter a cidade limpa. Segundo ela, o que tem faltado é vontade dos gestores da província para que tal aconteça e se evite muitas doenças. “Sabemos todos que não é uma limpeza rotineira. Todo o munícipe do Lubango sabe que esta limpeza não vai ser constante, porque tivemos conhecimento, através da imprensa, da vinda do Presidente da República esta semana. Desde então, não se poupam esforços para manter essa cidade limpa. Se há condições para limpar simplesmente porque o Presidente vem cá, então há condições para manter a cidade limpa. Por que razão não o fazem? Então, o Presidente tem de passar a vir pelo menos uma vez ao mês para manter esta cidade limpa”, recomendou.

Embora haja quem defenda a vinda do Presidente da República uma vez por mês, já que a sua presença impulsiona os dirigentes a se engajarem na limpeza da cidade, há igualmente quem defenda o contrário. No mesmo diapasão está Maria Pedro, que acha possível o Presidente da República passar “a vir uma vez ao mês para termos a cidade limpa”, já que muitos assuntos relativos ao bom funcionamento das cidades requer a sua presença pelo país a dentro. Segundo disse, o Presidente da República tem os seus representantes em todas as províncias do país, aos quais confiou a missão de resolver não só os problemas do lixo, mas de tudo o que impede a qualidade de vida das populações.

“Só é feita uma limpeza mais profunda quando o Presidente está para vir. Enquanto isso não acontece, nós encontramos muito lixo nos bairros, e até faltam contentores para o seu depósito. Não podemos pedir ao Presidente que venha para cá ao Lubango só para ficar limpo. Ele tem mais trabalho. A Huíla tem um governador e cabe a ele velar por isto”, apontou. Por seu turno, Rui Rodrigues defende que a limpeza da cidade deve ser feita diariamente, já que o lixo representa uma fonte de doenças. “A limpeza deveria ser feita todos os dias, como nos outros países, a partir das 22 horas. Com equipas a recolherem o lixo, não será necessária a presença do Presidente da República, mas é necessário que a população se una em torno dessa inicativa”, recomendou.

‘A intenção é manter a cidade limpa’

Questionado se a campanha de limpeza que se desenvolve nas vésperas da chegada do Presidente da República terá ou não continuidade, o administrador municipal do Lubango garantiu que a intenção da sua Administração é continuar a manter a cidade limpa. Francisco Barros disse igualmente que, apesar da exiguidade dos meios para o efeito, há uma grande preocupação por parte da administração municipal em relação ao saneamento básico. “O objectivo é continuar, o grande problema é a falta de meios, mas nós já recebemos do Governo Provincial cerca de 6 tractores para minimizar a situação do lixo na cidade do Lubango”, revelou.