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Pontes e barragens do país sem monitoramento

As pontes do país eram monitoradas semestralmente, mas face a escassez de recursos humanos e a falta de investimentos, os trabalhos cessaram. Este ano, por exemplo, não se fez vistoria a nenhuma dessas infra-estruturas

Texto de: Milton Manaça

O Laboratório de Engenharia de Angola (LEA) conta apenas com dez técnicos para fazer intervenção em diversas obras públicas no país, facto que tem limitado a sua acção, revelou ontem, em Luanda, o chefe de Departamento de Materiais de Construção e Estruturas desta instituição, Júlio Fonseca.

Ao intervir no seminário promovido pela Ordem dos Engenheiros de Angola com vista a analisar os desafios do sector, o responsável esclareceu que a limitação faz com que apenas uma das várias barragens existentes no país seja inspeccionada por ano. O que faz com que muitas fiquem sem vistoria durante vários anos.

No entanto, a OEA alertou, recentemente, que várias barragens correm o risco de provocar uma catástrofe, em virtude de um possível rompimento por falta de manutenção. Sobre as pontes, por exemplo, Júlio Fonseca disse que este ano ainda não se fez acompanhamento, realçando que nos anos anteriores faziam visitas a essas infra-estruturas em cada seis meses e no fim era produzido um relatório sobre o seu estado.

O técnico do LEA disse que não consegue monitorar e que suspendeu o acompanhamento que fazia semestralmente às pontes por falta de recursos humanos e por não conseguir arcar com os investimentos necessários nos equipamentos utilizados. “Este ano ainda não fizemos nenhuma campanha de observação das pontes”, disse.

Possível perigo no Longa e Keve

Na ocasião, os participantes levantaram o problema das pontes sobre os rios Longa e Keve que, segundo eles, vão dando sinais de envelhecimento e impunha-se uma intervenção para se saber o seu quadro real.

Para o bastonário da OEA, Paulino Neto, o seminário organizado pela instituição que dirige teve como função apresentar o quadro real do país nos mais diversos sectores que envolvem as engenharias para se ter as bases e, posteriormente, apresentar-se as respectivas soluções. Paulino Neto apontou como exemplo a qualidade de muitas obras que volta e meia é questionada quer pela degradação prematura que apresentam, assim como as debilidades na fiscalização.

Esta associação profissional entende ser necessário capacitar cada vez mais os engenheiros para responder aos anseios da sociedade, principalmente na fase em que o país se encontra actualmente. Para além do sector da construção, o seminário abordou planos estratégicos dos ministérios do Urbanismo e Habitação, Energia e Águas, Agricultura, transportes e comunicações.

 

 

 

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