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Recordar é viver

Era criança e a felicidade morava em minha casa. Recordo com nostalgia os meus amigos de pequenice, as nossas brincadeiras de kandenguisse, todos os dias, ali mesmo na Maxinde, o meu bairro de eleição. Entre vizinhos, a sã convivência rápido se transformava em parentesco, a cordialidade e o respeito mútuo fluíam, a alegria imperava, contavam-se histórias do antigamente, a alegria era uma constante entre nós. Eram tempos de brincar a cabra- cega, a macaca, ao jardim celeste, a barra do lenço, jogar a malha que, no melhor da recordação ocupam a imaginação neste mundo hoje cada vez mais sem distâncias. Bons tempos que já não voltam, de grandes trumunos de futebol com bola de meia, das corridas de pneus ou arco, dos carros de sabão, o ringue, as escondidas, que como, recentemente um tio e amigo fez questão de recordar, “todas estas brincadeiras de bom gosto actualmente estão relegadas ao esquecimento”.Relembro a adolescência, os namoricos de pimpa, do beijo só na bochecha, nada de brincadeira de pai e mãe pois, era dever moral das garinas cuidarem da virgindade até ao casamento, altura em que, no dia seguinte, fazer presente aos mais velhos o lençol de aptidão, fazia parte do orgulho e da ética familiar. Éramos assim naquele tempo de então cultivando sonhos, de apetência e entrega aos estudos, de amor e devoção à religião, de saber distinguir as boas das más práticas, de rejeição aos vícios e maus exemplos, de sentir e ter na família o berço da moral e boa educação. Não consigo esquecer aqueles tempos, mas quando me vêm a mente, as noites quentes malanjinas, com forrobodós aos sábados, nos salões de terra batida, em quase todos os bairros e animados por exímios discotequeiros da época, como o Lomé, Job, Verás, Trabayó, Zé Vieira entre outros. Quão bom é ainda reviver, os mergulhos na capopa, os piqueniques na lagoa do gaiato, as coboiadas no Luís Lavrador, as almoçaradas no lagoa-bar, as bênçãos na fonte dos amores, as caminhadas no morro do késsua, enfim muitas e muitas belezuras que com gostosura no passado desfrutamos. São mesmo saudades buereré que sempre vale a tempo recordar, rememorar, revisitar na imaginação nestes novos e modernos tempos que vivemos.

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