loader

Estudantes reticentes quanto à gratuitidade dos autocarros para a mobilidade

Estudantes de diversos níveis de ensino manifestam-se reticentes quanto à gratuitidade dos autocarros para a mobilidade escolar recebidos pelo Governo provincial e receiam que, à semelhança de outros, os novos 150 não cumpram rigorosamente o objectivo para os quais foram adquiridos

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

A província de Benguela viu o seu parque automóvel reforçado com 150 autocarros para mobilidade dos estudantes, visando atenuar a carência gritante de transportes escolares, a julgar pelo facto de uma boa Estudantes reticentes quanto à gratuitidade dos autocarros para a mobilidade parte de estudantes viverem em zonas distantes dos estabelecimentos de ensino, obrigando- os a percorrer quilómetros em busca do conhecimento. Em declarações a OPAÍS, Joaquim Sole, que frequenta a 12ª classe, revelou que, diariamente, tem de percorrer quilómetros de distância de casa até ao seu complexo escolar, na Cambanda.

Por viver distante da cidade, precisamente no bairro 11 de Novembro, por dia gasta mil kwanzas. Joaquim louva a iniciativa, mas manifesta as suas reticências: “Nós já tivemos autocarros que, sem exagero nenhum, andaram apenas alguns meses, foram encostados e nunca mais voltaram a andar”, lembra. Uma outra estudante, do 2º Ano de Direito, identificada apenas por Judith, está céptica e não acredita que a gratuitidade seja a melhor opção numa altura de crise financeira. A estudante até considera boa a iniciativa do Executivo, por visar as famílias de baixa renda, mas sugere a definição de uma taxa de pagamento mensal pelos estudantes, sob pena de se comprometer a viabilidade do projecto. “Tem o combustível, a manutenção às viaturas… Não vamos correr o risco de, decorrido um certo período de tempo, termos os autocarros parados por falta disto ou daquilo?”, questiona.

Em entrevista a uma rádio local, o director dos transportes assegurou que, numa primeira fase, de acordo com o entendimento institucional, os transportes são gratuitos, embora não revelasse se já foram seleccionadas as operadoras ou se a responsabilidade da gestão dos automóveis cairá sobre o Governo, ou seja, do Gabinete Provincial da Educação. Para André Ricardo, o reforço é uma mais-valia e destina-se apenas à mobilidade escolar “o Executivo gizou um programa que visa mitigar este sofrimento destes estudantes e professores”, ressalva. Benguela é uma zona logística do Centro, razão por que, pelo Porto do Lobito, estejam a ser desembarcados autocarros para as províncias do Huambo e Bié. Nesta altura, chegou já um lote composto por 140 autocarros, parte dos quais seguem viagem em direcção ao planalto. “Os autocarros para Benguela vêm de forma gradual, são 150”, estando acautelada a distribuição tanto para as escolas no litoral quanto no interior da província, com base num estudo preliminar efectuado pelo Governo.

Os 34 autocarros e a crítica de segmentos sociais

Recorde-se que no final do ano passado, o Governo Provincial recebera 34 autocarros para o transporte intermunicipal e interurbano, entretanto, na altura levantaram-se várias críticas de que o projecto teria alegadamente beneficiado determinados segmentos sociais em detrimento de operadoras para as quais o projecto foi concebido. Sobre esta matéria, o director dos transportes diz não colher e desmente qualquer possibilidade nesse sentido. Segundo disse, para além das operadoras seleccionadas, algumas instituições públicas foram igualmente contempladas com autocarros. “Não temos razões de queixa e os operadores estão sim a cumprir tudo na base da tipologia de meios recepcionados.

Para distribuição tinham que ser operadores já existentes no mercado”, garante. Sob anonimato, uma fonte do Governo Provincial confidenciou a este jornal que inicialmente o projecto previa a comparticipação dos estudantes e foi desenhado no consulado de José Eduardo dos Santos. Entretanto, com ascensão de João Lourenço à Presidência da República, optou-se pela gratuitidade, ponderando as condições de ordem financeira de algumas famílias. Questionada se já tinham sido seleccionados os operadores, a fonte salienta que, até aqui, o Governo local não tem nada definido “a única coisa que está a acontecer neste momento é a recepção dos carros. Também não sabemos quem será o responsável pela contratação de motoristas. Portanto, do ponto de vista prático, só teremos esses transportes aí no próximo ano”, receia a nossa fonte.

  • Julia Ventura

    A miuda Judith tem razao. Nada de gratuitidade. Sempre da’ para pagar algum. Se agora tem de pagar dois mil por mes ao candongueiro, entao que paguem 500 por esses autocarros. Como ela bem diz, ha gastos de manutencao, gasolina, etc.
    Quanto aos outros autocarros, pararam por que^? Qual o motivo? Gestao danosa? Quando e’ que a gesta danosa e’ julgada e presa?

Últimas Notícias