Fugas à paternidade e maternidade vistas como maiores crimes contra a criança

Os fenómenos de fuga à paternidade e à maternidade são considerados pela vice-presidente para a Área Económica do Distrito do Rangel, Maria Amélia Rita, como maiores crimes que podem ser cometidos contra uma criança, porque elas não pedem para nascer. A responsável fez tal declaração ontem, durante a abertura do seminário de reflexão sobre os 11 compromissos da criança, realizado no município de Luanda, na biblioteca do Rangel, na Vila Alice.

POR: Maria Teixeira

De acordo com Maria Amélia Rita, os nossos princípios morais e religiosos sempre nos orientaram no sentido de que devemos dar protecção às crianças, mas neste momento os valores estão a ser tão pisoteados e postos de parte que até as mães recusam os seus filhos, com abandono em balde de lixo. Para a responsável, a construção de um mundo melhor é uma tarefa de todos os adultos, no sentido de proporcionar um futuro melhor para as crianças que constituem a nossa continuidade e o futuro da nação. “Assegurar o seu crescimento integral e harmonioso no seio familiar, num clima de felicidade, amor e protecção social, proporcionando-lhes um desenvolvimento físico, moral, mental e social, é a nossa obrigação como adulto”, disse.

Há a necessidade de se ter consciência de que o que fazemos hoje pelas nossas crianças será o reflexo da nossa sociedade amanhã, porque “crianças que crescem ao abandono, sem orientação, sem acompanhamento, são crianças que no futuro serão rebeldes, delinquentes, pois não tiveram, na devida altura, acompanhamento necessário e eficaz”. Por essa razão, considera o fenómeno das fugas à paternidade e à maternidade como os maiores crimes que se podem cometer contra uma criança, porque elas não pedem para nascer, e os adultos devem ser responsáveis pela sua existência . Por sua vez, a chefe do serviço provincial do INAC, Ana Silva, explicou que os compromissos da criança são sectoriais e cada sector deve responder pelo seu compromisso. “O que nós queremos é que as acções com as crianças sejam tidas como prioritárias, e nesse aspecto, hoje, ainda conseguimos testemunhar, e com muita tristeza, muitos focos de crianças de rua, coisas que em 2014 já não presenciávamos”, lamentou.