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Trump enche May de elogios e aceita acordo de livre-comércio

Na tentativa de acabar com a polémica criada pelos seus comentários durante uma entrevista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta Sexta-feira (13) a primeira-ministra britânica, Theresa May, tendo anunciado que os seus países vão buscar um acordo de livre-comércio depois do Brexit.

Trump e May andaram de mãos dadas pelos últimos metros até ao pódio da sua conferência de imprensa em Chequers, a casa de campo da primeira-ministra nos arredores de Londres. “Faça o que fizer, tudo bem”, disse o magnata a May, num tom conciliador, depois de ter criticado a sua estratégia de negociação no Brexit numa entrevista ao The Sun, alegando que impossibilitava um acordo comercial com os Estados Unidos, além de elogiar o seu rival político, Boris Johnson.

“Esta senhora”, acrescentou, voltando- se para ela, “é uma mulher incrível que está a fazer um trabalho incrível”. “Ela é uma negociadora durona. Eu a tenho observado nos últimos dois dias, e ela é uma pessoa muito, muito inteligente e determinada”, reforçou o republicano.“Prefiro tê-la como amiga”, concluiu. Sobre a relação bilateral, Trump garantiu que “é especial no seu maior grau”. Da sua parte, May anunciou que os dois países buscarão um “acordo ambicioso de livre-comércio” depois da saída da Grã-Bretanha da União Europeia.“Nenhum outro país faz mais do que nós para manter o seu povo seguro e próspero”, declarou. “E queremos aprofundar essa cooperação ainda mais”, sentenciou.

Numa entrevista ao jornal The Sun, que começou a ser divulgada na Quinta-feira à noite, quando May presidia um jantar de gala em homenagem a Trump, o presidente disse que Boris Johnson seria “um grande primeiro-ministro” e que os planos da primeira-ministra de manter vínculos com a União Europeia após o Brexit impossibilitam um acordo comercial com os Estados Unidos. Declarou ainda tê-la aconselhado a negociar com Bruxelas de um modo, e ela fez o contrário. Além disso, acusou o prefeito de Londres, Sadiq Khan, de ter feito um trabalho “terrível” contra o terrorismo, um ano depois da onda de atentados de 2017. Sobre o Brexit, “teria feito isto de maneira muito diferente. De facto, disse à Theresa May como fazê-lo, mas ela não concordou, não me escutou. Tomou outro caminho”, afirmou Trump, para quem a proposta de May não respeita o que os britânicos decidiram no referendo sobre a UE de Junho de 2016.

Oposição defende May

A intromissão de Trump sobre o plano de May para resolver o principal tema doméstico e internacional do seu governo ocorreu num momento de fragilidade política de Londres. “É extraordinariamente grosseiro da parte de Trump comportar- se desta maneira”, disse a vice- líder do Partido Trabalhista no Parlamento, Emily Thornberry. “O que a sua mãe o ensinou?”, questionou, antes de pedir que May o enfrente. Anthony Gardner, que foi o embaixador americano na União Europeia durante o governo do presidente Barack Obama, afirmou que as declarações “são um ataque sem precedentes a um aliado durante uma visita oficial”. Trump “está fora de controlo e é um constrangimento”, completou.

Protestos

em meio à visita, milhares de pessoas reuniram-se em Londres nesta Sexta-feira para protestar. “Este é o carnaval da resistência” e “A minha mãe não gosta de você, e ela gosta de todo mundo!”, eram alguns dos cartazes exibidos pelos manifestantes que avançavam pela Oxford Street com destino à Trafalgar Square. “Não a Trump, não à Ku Kux Klan, não aos EUA fascista!”, gritavam, batendo panelas, ou tocando trombetas. “Donald Trump é misógino, machista, homofóbico, xenófobo, promove a intolerância (…) e tem mãos pequenas!”, disse uma manifestante, Georgina Rose, de 42 anos, usando uma piada comum sobre o presidente e empresário. A imagem do dia era, no entanto, o grande balão representando Trump como um bebé de fraldas que flutuou no céu perto do Parlamento por algumas horas, com a aprovação do prefeito Sadiq Khan. A parte oficial da visita de Trump ao Reino Unido, a primeira como presidente, terminou nesta Sexta-feira (ontem) com um encontro para o chá com a rainha Elizabeth II, antes de viajar para a Escócia para passar o fim-de-semana em privado.

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