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Aceleração do parto terá levado à morte de gestante e do seu filho

A gestante Joana Jorge foi notificada pela médica a estar presente na maternidade de Luanda, no dia 7 de Julho, com a pasta do bebé, sem que tivesse contrações. No hospital, foi-lhe supostamente administrado um comprimido para acelerar o nascimento do bebé, que acabou por causar-lhe uma hemorragia e consequente morte. A família pede esclarecimentos e o hospital abriu um inquérito

Texto de: Romão Brandão

Os restos mortais de Joana Mariana Jorge, de 38 anos, e do filho, descansam no Campo Santo do Benfica. A família, até ao momento, tenta entender como a jovem perdeu a vida, numa maternidade de Luanda, se quando entrou na referida unidade estava bem de saúde, com uma gestação de nove, meses fora de risco, e sem necessidade de ser feita cesariana (uma vez que os dois filhos que tem, um de 10 e outro de 8 anos nasceram pela via normal). Conta Vanuza Jorge, irmã da vítima, que a médica de Joana (cuja identidade omitimos) pediu-lhe para estar no hospital, no dia 7, às 19h, com a pasta do bebé. Joana gozava de boa saúde, não tinha contrações, e foi observada.

Não permitiram a entrada de Vanuza no banco, mas, tão logo terminou a observação, Joana entrou em contacto com a irmã. “Ela disse que a doutora a observou, o bebé estava a dois centímetros e tinha-lhe dado um comprimido para acelerar o parto.

À meia-noite, quando fui ter com ela, Joana estava bem e pediu se podia ir para casa, porque confia na doutora, era sua amiga, mas ficou intenada. Em casa, às 5 horas recebo uma chamada do hospital a exigir a minha presença”, disse. Joana tinha perdido a vida e não se conseguiu salvar o bebé, a doutora chamou Vanuza para uma sala para saber se a parturiente tinha algum problema e negava ter sido ela quem a orientou a apresenta-se, naquele dia no hospital.

Segundo uma das gestantes que presenciou a sua morte, Joana estava no corredor a sangrar, às 4h, pediram-lhe para ir à casa de banho colocar um penso, levantou-se e depois de alguns metros caiu, tendo perdido a vida ali mesmo. Artur, outro irmão da vítima, acredita que a sua irmã não tenha sido socorrida pelos enfermeiros, porque se o fosse, tanto ela quanto o bebé ainda estariam vivos.

“A médica “jura”, a pés juntos, que não deu nada à minha irmã. As duas vezes que estivemos no hospital, para além de nos darem os pêsames, reforçaram que a doutora nega ter dado, e mesmo até que tivesse dado, não foi com intenção de matar. Por último, disseram que foi morte súbita”, conta.

A dor das duas perdas levou a família a esquecerse, por completo, de exigir uma autópsia ao corpo de Joana para descobrir a razão da morte. Hoje, agora que notam que o comportamento da direcção do hospital levanta suspeitas, acreditam que a médica que acompanhava a jovem terá cometido algum erro. Para não deixar muitas evidências, no hospital não há, segundo a nossa entrevistada, registo de entrada da parturiente e o cartão de vacina dela desapareceu misteriosamente.

Alegam que Joana não se fez acompanhar do cartão, mas Vanuza defende que não é possível, porque ela já tinha a pasta do bebé feita há muito tempo, sabia da importância deste documento, para além de não ter sido a sua primeira gravidez.

‘A palavra da doutora contra a da minha irmã’

“O bebé só foi tirado da barriga da minha irmã dois dias depois da sua morte. A doutora disse à direcção do hospital que não deu nenhum medicamento, mas a minha irmã, por via telefónica, falou que lhe tinha sido administrado um comprimido para acelerar o parto”, reforçou.

Na última reunião que tiveram no hospital foi-lhes dito que apenas uma autopsia determinaria as causas da morte, mas o estranho, para a família, é que a própria direcção do hospital não se preocupou em pedir a autópsia enquanto a família tentava gerir o momento de amargura pelas duas perdas. Vanuza acredita que o hospital não mostrou interesse em pedir a autópsia a fim de saber as razões da morte, para salvaguardar a imagem da médica.

Por outra, a irmã de Vanuza sempre disse a esta que a sua médica sairia de férias no corrente mês, pelo que Joana pediu encarecidamente que não saísse sem que ela desse a luz, pois não queria ser acompanhada por outro especialista, dada a confiança.

Assim, suspeita-se que ao se aproximar a data das férias, a doutora terá decidido apressar o parto, dado o pedido da parturiente.A família disse que não fica parada até descobrir as razões da morte de Joana Jorge. A direcção do hospital abriu um inquérito para averiguar as razões, mas que até ao momento não foi concluído ou não se conhece o resultado.

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