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ADRA-Antena Malanje promove formação em género e VIH/SIDA

“Justiça de Género”, “Análise do Grau de Engajamento das Mulheres nas Organizações”, “Abordagem Epidemiológica sobre o VIH/SIDA”, são os temas que deram vazão ao VIII módulo da formação em Género e VIH/SIDA que decorreu de 11 a 12 de Julho nas instalações da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) Antena Malanje. O objectivo visou reforçar a capacidade e sustentabilidade institucional relacionadas com o desenvolvimento

Texto de: Miguel José em Malanje 

Na abertura do evento, o director da ADRAAntena Malanje, Fernando dos Santos, afirmou que a promoção do equilíbrio e justiça de género constitui um dos desafios da ADRA em realizar, anualmente, formações ligadas ao VIH/SIDA, na perspectiva de reforçar o conhecimento no domínio dos distintos parceiros e seus quadros.

Fernando dos Santos adiantou que este ano a ONG que representa pretende reforçar a sua capacidade institucional nos diversos domínios da sustentabilidade institucional e dos processos de desenvolvimento sustentável, com base nas temáticas de direito das mulheres, Género e VIH/SIDA. Disse que, nos próximos meses, pretende elaborar um plano de acção sobre a temática de género e VIH/SIDA com a intenção de ver materializadas as propostas e sugestões resultantes do evento, bem como concretizar as linhas de acção do plano estratégico da ADRA.

O administrador municipal de Malanje, João Assunção, convidado a prestigiar o acto, referiu que a realização anual de formação sobre a temática de Género e VIH/SIDA demonstra a preocupação sobre a necessidade de haver maior reflexão dos diferentes actores da sociedade, visando contribuir para uma melhor equidade do género na prevenção do VIH/SIDA.

Segundo o responsável, a prevenção contra o vírus da SIDA está nas mãos de cada indivíduo se fizer a sua parte, já que apesar de os investimentos feitos pelos órgãos da administração central e locais do Estado, em parceria com as organizações da sociedade civil, no país ainda se registam novas infecções, devido aos comportamentos de risco reflectidos na prática, negligente, de relações sexuais ocasionais sem preservativo.

Também mencionou o não cumprimento das normas do corte de transmissão vertical da mãe para o filho, a não preocupação dos jovens em conhecerem o seu estado serológico e do seu parceiro, além de relatos de, nalguns casos, indivíduos que, mesmo sabendo que estão infectados, não comunicam à parceira e viceversa, praticam relações sexuais não protegidas, como sendo factores de propagação do VIH.

“Esta é uma atitude que além de constituir crime, revela falta de amor ao próximo, respeito e falta de consideração pelo outro. Por não ter cor, não escolher nível social nem título da pessoa, todos podem contrair o VIH/SIDA, por comportamentos de risco próprio ou de outrem”, repreendeu.

Fazendo menção da Constituição da República de Angola, que estabelece os princípios da igualdade e da universalidade que são estruturantes para regular a vida em sociedade, o administrador municipal de Malanje recordou que ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão do sexo, considerando que o homem e a mulher são iguais no seio da família, da sociedade e do Estado, gozando dos mesmos direitos e cabendo-lhes os mesmos deveres.

Agenda da Igualdade de Género

No acto de encerramento, a directora do Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade de Género, Fátima Paulo, disse que a vida das mulheres está particularmente relacionada com a discriminação a que são submetidas no livre exercício de seus direitos cívicos, políticos e económicos.

Por tal razão, a paridade de género aspira a que a mulher ocupe pelo menos 50 por cento dos cargos públicos, a todos os níveis, bem como goze da igualdade total, segundo está patente na agenda 2063. Para atingir tal desiderato, Fátima Paulo alvitrou ser imprescindível as jovens concluírem os ciclos de formação e evitarem circunstâncias de casamentos ou gravidezes precoces, para não colocarem em risco a sua efectiva participação na edificação de uma sociedade próspera e integral, dada a discriminação a que são submetidas no livre exercício de seus direitos cívicos, políticos e económicos.

“O Estado angolano tem estado a desenvolver acções com vista a assegurar maior igualdade do género”. – Por isso, considerou que a formação está intrinsecamente ligada ao programa de igualdade nas organizações e na sociedade, assim como a valorização dos direitos da mulher, com realce para a problemática do VIH/SIDA, cujo índice tende aumentar a cada dia que passa.

Resumo final

Após dois dias de formação, os participantes concluíram que a abordagem sobre a “Justiça de Género”, realizada pelos diferentes actores a nível das comunidades, tem permitido um maior equilíbrio nas relações de poder entre homens e mulheres. Porém, já é visível a participação das mulheres em espaços de concertação e tomadas de decisão, na assumpção
de cargos de liderança, no desenvolvimento económico das comunidades, bem como na partilha de tarefas domésticas em algumas famílias.

Sendo assim, destaca-se a necessidade de sensibilizar e capacitar as comunidades, no sentido de mitigar alguns hábitos culturais que constituem barreiras para a equidade do género; a necessidade das mulheres apostarem na auto-capacitação, na formação académica e na melhoria dos seus perfis profissionais, a fim de melhorarem as competências profissionais e atingirem os níveis de participação desejados.

No que diz respeito ao grau de engajamento das mulheres nas organizações locais, em virtude de em cinco municípios de intervenção da ADRA (Malanje, Cacuso, Kalandula, Mucari, e Kiwaba Nzoji), embora o envolvimento das mulheres ser em maioria nas associações e cooperativas, os cargos de liderança são exercidos por homens, derivado do elevado índice de analfabetismo, discriminação e alguns aspectos culturais.

E, para minorar a situação, os participantes recomendaram à ADRA, ao Gabinete de Acção Social, Família e Igualdade do Género e às administrações locais e outros parceiros, a continuarem a realizar acções de sensibilização e capacitação das mulheres no domínio da justiça de género e outras temáticas, de modo a elevar o nível de conhecimento e contribuir para a mudança de consciência dos cônjuges.

Participaram do evento 46 indivíduos das organizações da sociedade civil dos municípios de Malanje, Cacuso, Kalandula, Kela, Kiwaba Nzoji, e quadros da ADRA.
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