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Baixo salário e falta de condições de trabalho podem forçar médicos à grave

Caso o Ministério da Saúde não atenda às exigências constantes no caderno reivindicativo do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), que será entregue hoje, os profissionais deste sector poderão decretar greve

Texto de: Domingos Bento

falta de condições de trabalho e a baixa tabela salarial poderão foçar os médicos a partir para uma greve nos próximos tempos, caso as autoridades de tutela não atendam às inquietações da classe, revelou em Luanda o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Adriano Manuel. Esta organização sindical tornou pública a intenção à margem do primeiro fórum de auscultação dos profissionais.

O líder sindical disse que a classe que dirige enfrenta uma série de dificuldades que têm vindo a complicar o bom exercício laboral. Entre as principais inquietações, apontou a baixa tabela salarial, que não satisfaz as reais necessidades dos profissionais que, muitas vezes, trabalham em zonas recônditas e de difícil acesso.

Acrescentou ainda a falta de um plano de saúde, a falta de formação e a inexistência de condições de trabalho em muitos hospitais públicos entre as preocupações. “Existem hospitais que não têm o mínimo de condições para se poder exercer a medicina. Há unidades que não têm aparelho de raio-x nem sequer um bom laboratório, pelo que fica difícil prestar uma assistência de qualidade aos pacientes”, frisou.

Segundo Adriano Manuel, estas e outras preocupações foram já compiladas num caderno reivindicativo, elaborado com a participação de todos os associados do SINMEA, que será entregue hoje ao Ministério da Saúde, enquanto órgão reitor que vela pelas políticas e estratégias da saúde no país.

No entanto, o presidente do SINMEA assegurou que a classe está aberta ao diálogo com as autoridades, de forma a se encontrar soluções para os problemas acima mencionados. Mas, caso não haja respostas convincentes, o médico deixou claro que o órgão que dirige não terá outra saída senão accionar a greve.

“Depois de remetermos o caderno reivindicativo, vamos aguardar que o Ministério se pronuncie. Em função da conversa que temos mantido com a senhora ministra da Saúde, queremos acreditar que existe vontade de resolver muitos desses problemas. Não queremos partir para um processo reivindicativo muito coercivo como a greve.

Acreditamos que, com diálogo, os nossos problemas serão resolvidos”, atestou. Sem plano de formação A ausência de um plano contínuo de formação para os médicos nacionais é também outro dos males que a classe enfrenta. Adriano Manuel atestou que esta situação tem feito com que muitos acabem por ser perder no tempo.

“Não é possível, nem é recomendável que um médico não faça formação contínua. Nós lidamos com vidas. E hoje a medicina é dinâmica. Há novas coisas a serem criadas diariamente que o médico deve seguir, sob pena de ficar perdido. E nós ca, infelizmente, somos esquecidos”.–

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