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Carta do leitor: Ter dois pais e a sua incógnita

Num passado muito recente era quase que obrigatório ouvirmos falar do slogan ‘Resgate dos valores morais’. O lema era constantemente apregoado por políticos, responsáveis de organizações da sociedade civil e até mesmo dirigentes desportivos.

POR: Rogério dos Santos Luanda

Recordei-me deste chavão depois de ter ouvido na rádio relatos assustadores de pessoas que diziam ter dois pais ou que desconfiavam que os filhos que criam há vários anos podem não ser seus. O ponto de partida foi o caso de um pequeno de 19 anos, que falecera há quase uma semana, cujo funeral está adiado porque um dos ‘pais’ do menino apressou- se em comprar a urna, ao passo que o ‘legítimo’ – aquele com quem o menino vivera 19 anos – nem sequer tinha sido informado sobre o sucedido. O que assusta no meio de tudo isso é que os familiares dos dois pais, se é assim que os podemos considerar, lutam entre si pela realização do funeral do malogrado. Mas, em momento algum a mãe do menino, a única que poderá desfazer este imbróglio, é mencionada para esclarecer de uma vez por todas de quem é o filho? Nos próximos dias assistiremos uma correria nos corredores das clínicas e nos hospitais de referência de pessoas que irão à procura do famoso exame de DNA. Melhor saber agora do que numa altura dolorosa como está a acontecer com o senhor que durante 19 anos cuidou de um menino como sendo apenas dele, mas que hoje aparece como tendo um segundo progenitor.

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