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Cobras e insectos invadem condomínio em Talatona

Cobras, rãs e insectos “tomaram de assalto” uma das 77 residências do condomínio Maravilhas de Talatona, em consequência da enchente que se regista, desde Fevereiro último, na bacia de retenção deste distrito, considerado com um dos mais nobres de Luanda

Texto de: Stela Cambamba

Os moradores deste condomínio passaram a ser obrigadas a lidar diariamente com esses animais e insectos desde que as bombasd’água deixaram de funcionar no decorrer das fortes enxurradas que se abateram sobre a capital do país no período em referência. Malvina Cabral, uma das moradoras que para ter acesso à sua residência teve de adaptar uma ponte, disse que a situação representa um perigo para os seus filhos ainda menores de idade. Para evitar o pior, todos os dias vê-se obrigada a comprar inseticida para afugentar os bichos.

A cidadã, em companhia das suas vizinhas, Fátima Mota e Sílvia Esteves, inconformadas com a alegada falta de interesse por parte das autoridades de direito em resolver este problema, descolaramse à redacção de OPAÍS para advertirem que continuam a aguardar por uma solução.

As três senhoras explicaram que das 77 residências uma está submersa, o mesmo sucede com o muro que separa o condomínio da bacia de retenção e uma estrada de acesso ao referido aglomerado habitacional está interdita. É nesta bacia de retenção onde vão parar as águas residuais de diferentes empresas e condomínios da zona do Talatona, existentes num raio de aproximadamente dois quilómetros da área.

Daí que, por inoperância das máquinas, tenha sido inundada a área circundante, fazendo com que a vida no condomínio “Maravilha” passasse a ser lamentável. Segundo as nossas interlocutoras, a situação só tardou a piorar porque em Fevereiro havia sido minimizada através da intervenção de uma empresa que prestava serviços na área.

“Por conta dessa situação vivemos com sapos, por vezes, aparecem cobras e há excesso de mosquitos. O muro que veda o condomínio está com fissuras, representando assim perigo iminente para os moradores, porque a qualquer momento poderá cair”, detalhou uma delas.

Os edifícios próximos da bacia de retenção também apresentam fissuras, alegadamente em consequência da água que não está a ser escoada. Disseram ainda ter conhecimento de que várias empresas apresentaram propostas para solucionar a situação, mas como nada foi feito até ao momento, temem pelo pior com o aproximar da época chuvosa. “Gostaríamos de chamar a atenção de quem de direito para que resolver esta situação.

Nós pagamos impostos e não merecemos viver nestas condições, o que poderá desencadear num problema público de saúde. Temos crianças”, apelaram as senhoras. De acordo com as três moradoras do condomínio Maravilhas de Talatona, os gastos diários com insecticidas são avultados, mas menores se comparados com os problemas de saúde que poderão advir se o problema não for solucionado. “Inalamos todos os dias cheiro de diferentes tipos de inseticidas”.

Enquanto a situação aflige alguns, para outros transformou-se numa oportunidade para o cultivo de diversos produtos. Nas margens da aludida bacia, alguns camponeses criaram pequenas lavras.

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