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cinematográfico

Bem, vamos só já chamar de contrastes, mas tem outro nome, como aquele que o povo usa para o caso e que é muito bem achado. Povo sabe sempre tudo, sabe como lidar com as coisas.

POR: José Kaliengue

Imaginemo-nos em pleno Talatona, como me achei eu, percorrendo algumas ruas, calmamente, a olhar para a paisagem sem a desfrutar propriamente dito, porque Talatona nada tem de pictoresco, são apenas muros altos a circundar condomínios, não há arte nos muros, não têm características arquitectónicas que os diferenciem. São apenas barreiras. Alguns têm uma cerca eléctrica como coroa. Com tanto muro, obviamente, não há gente, aliás, mal há passeios. Alguns dos condomínios têm algo de fantasmagórico, sem alma. Se havia vida lá dentro também não deu para perceber, os sons não saem, abafados pelo ruído dos geradores. Lembrei-me que apesar das barreiras o distrito (ou município, já não sei o que é) é o epicentro do mais recente surto de cólera no país. O raio do micróbio também quis habitar numa distrito cujo nome significa luxo. De repente, uma barulheira imensa, “meninos” de porches e mais alguém num ferrari, acelerando mais para o barulho do que para a velocidade, os buracos não o permitiam. Muros altos, seguranças em todos os portões, vida sustentada por geradores porque não havia electricidade da rede pública, buracos nas ruas, e carros luxuosos de alta cilindrada, nem Hollywood inventaria melhor. Mas o povo há muito inventou o nome deste filme: “luxo na miséria”.

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