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Research Atlantico: A actividade industrial no primeiro trimestre de 2018

O Índice de Produção Industrial (IPI) fixou-se em 99,4 pontos no primeiro trimestre do ano corrente, registo que representa uma redução de 2,4% em relação ao registo de 101,8 pontos referente ao trimestre anterior, de acordo com dados do último relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A análise homóloga revela que a redução da actividade industrial intensificou-se em 2,6%

POR: Atlantico

O Índice que mede a evolução da produção industrial em um determinado período de tempo e espaço geográfico, resulta de um inquérito à Produção Industrial realizado pelo INE com periodicidade trimestral, em estabelecimentos distribuídos por 14 províncias do país, correspondendo a um total de 401 estabelecimentos, sendo que 51% dos estabelecimentos inquiridos encontram- se localizados na província de Luanda.

O registo mensal do IPI, durante o período em análise, reflecte a diminuição do desempenho da “Produção e Distribuição de Electricidade, Gás e Vapor” em 15,5% e da Indústria Extractiva em 4,9%, que superaram a variação positiva de 20,4% e 6,2%, registada na “Indústria Transformadora” e na “Captação, Tratamento e Distribuição de Água e Saneamento”, respectivamente. O desempenho do Índice apesar de se apresentar negativo, representa uma moderação em relação ao desempenho do quarto trimestre de 2017, tendo-se em consideração a redução de 3% apurada no índice industrial. O registo mais positivo da indústria poderá reflectir o incremento do crédito aos diversos ramos da economia, com registo de um aumento de 6,43% no terceiro trimestre do ano corrente, fixando- se em 11.567,32 mil milhões AOA, um desempenho mais elevado que a variação de 1,49% registada no último trimestre de 2017.

O primeiro trimestre de 2018 caracterizou- se pela concessão de crédito à “Indústria Transformadora”, “Extractiva” e à “Produção e Distribuição de Electricidade, Gás e Água”, no montante de 802, 203 e 83 mil milhões AOA, que representam variações de 3,3%, 4% e -10%, respectivamente. As contribuições dos ramos de actividade sobre o crédito total fixaram-se em 6,9%, 1,8% e 0,7%, na mesma ordem acima referenciada, sendo que o “Comércio” mantém-se como o principal destino dos recursos, com um peso de 24% sobre o total de crédito. A análise do Índice de Produção Industrial capta, por outro lado, a variação do “Índice do Pessoal ao Serviço” e do “Índice de Horas Trabalhadas”, que no período em análise representaram uma redução de 1,5% e 1,9%, respectivamente, registo que apresenta alguma melhoria tendo-se em consideração a diminuição de 4% e 3,1% apurada no quarto trimestre de 2017.

O Indicador de Clima Económico, que apresenta a expectativa dos empresários sobre o crescimento dos seus sectores de actuação no curto prazo, apesar da variação positiva no primeiro trimestre do ano corrente, de -15 para -14 pontos, manteve a perspectiva desfavorável para as Indústrias Transformadora e Extractiva que fixaram-se em -17 e -15 pontos respectivamente, no primeiro trimestre de 2018, sendo que no trimestre anterior apresentaram registos de -8 e -4 pontos, na mesma ordem. O desempenho trimestral representa principalmente, o suporte insuficiente de infraestruturas como a distribuição de energia e água, a reduzida disponibilidade de capital humano qualificado e o elevado nível de burocracia na regularização das actividades e nos produtos a adquirir. No entanto, perspectiva-se que nos próximos anos a actividade industrial apresente melhor desempenho, tendo em consideração a perspectiva do Governo plasmada no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018-2022), com particular destaque para o sector não petrolífero.

O PDN (2018-2022) estima uma taxa de crescimento da Indústria transformadora, em média de 5,9% durante o quinquênio, podendo atingir 9,5% em 2022, nível que representa um incremento significativo comparativamente à expectativa de 1,8% de crescimento prevista no Orçamento Geral do Estado para 2018. A aprovação de Leis como a da Concorrência, em Abril do ano corrente, o instrumento por excelência de defesa da concorrência e que prevê a criação da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) com o objectivo de garantir a igualdade de circunstâncias aos empresários, e por outro lado, a aprovação da Lei do Investimento Privado em Maio de 2018, que concede incentivos fiscais e suprime a obrigatoriedade de parceria nacional e o montante mínimo de 1.000.000 USD para o Investidor Estrangeiro, deverão contribuir para um melhor ambiente de negócios em Angola, o que poderá impactar no melhor desempenho da actividade industrial.

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