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Carta do leitor: Fé e abutres

Amigos d’OPAÍS,

O nosso Estado está a perder a guerra da moralização da sociedade, porque a imoralidade atacou e penetrou no reduto mais sagrado, naquilo que deveria ser o baluarte da moral, que é a religião.

A religião em Angola significa negócio. E está a ser um negócio bem lucrativo, não só por aquilo que os pastores arrecadam das oferendas nos cultos, mas também noutros fóruns, como o comércio, porque agora vendem de tudo, até água.

O Estado nada faz, se calhar para não tocar em interesses políticos. Todos sabemos que em Angola os agentes do Estado ainda actuam condicionados politicamente, por isso nem sempre fazem o que deveriam. Então, nunca teremos a recuperação dos valores morais se a própria reserva moral está conspurcada.

Nunca deveria o Estado angolano deixar as coisas irem até onde chegaram. Está mal. Se alguém quer tirar alguma dúvida, é só ver como as igrejas exibem poder financeiro comprando espaços de antena nas rádios e televisões para fazerem propaganda dos seus negócios.

Há momentos em Luanda que parece que todas as rádios são rádios de igrejas, mas também parece que as igrejas estão tomadas pelo mal, por causa das barbaridades teológicas que se dizem nestes programas e rádio. Falta coragem ao nosso Estado para defender os angolanos, até porque o próprio Estado também sabe que é conivente, não deixa aos cidadãos outra alternativa que não seja a fé. E é aí que os abutres atacam.

Manuel Francisco

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