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Empresários continuam a ter dificuldades para desenvolver as suas actividades

No debate promovido pelo Ministério da Economia sobre a diversificação da economia, os empresários questionaram o apoio do Executivo a projectos paralisados devido à crise, enquanto Filomena Oliveira refere que o grande problema do país chama-se burocracia, pois a isenção da taxas para importar milho, feijão e fuba de milho também preocupam a empresária

Texto de: Miguel Kitari

Por causa da crise económica que o país vive, empresários e o Executivo continuam na busca de soluções para alavancar o sector produtivo. Num debate promovido no âmbito da FILDA-2018, a economista e empresária Filomena Oliveira criticou o facto de o Governo angolano ter uma estrutura que considerou pesada (cerca de 30 ministérios).

Por isso, defende que a experiência dos palestrantes, sobretudo de Oseias Gomes, presidente do Grupo Odonte Excellence, que começou um grande grupo empresarial com apenas um computador é um bom exemplo para ser aplicado no país. Afirmou que “o bem como não é, na verdade, o grande objectivo, pois o problema de Angola chamase burocracia. Há muita gente a fazer a mesma coisa e a qualidade das despesas públicas não reflectem os custos, com influência directa na nossa economia. 52% do nosso Orçamento do Estado serve para pagar dividas”, disse.

Criticou igualmente as elevadas taxas praticadas pelos bancos comercias que, segundo ela, não estimulam a economia. “Ninguém investe numa economia destas”, afirmou. Em relação à teoria segundo a qual a economia angolana está a viver momentos difíceis por causa da baixa do preço do petróleo no mercado mundial (com sinais de retoma), Filomena tem visão diferente.

Para ela, o grande problema de Angola está na distribuição do erário público, sublinhando que foi mal distribuído e continua a ser mal distribuído. Fala também de falta de honestidade e de humildade na economia nacional. “De acordo com dados do Banco Nacional de Angola, em 2017 o país importou, todos os dias, USD 7.8 milhões em alimentos. Seria inteligente se evitássemos isso.

Se fôssemos mais inteligentes, hoje não estaríamos dependentes de contentores até para nos alimentarmos”, apontou. Em função disso, a empresária entende que “não há falta de divisas, há sim açambarcamento por parte de alguns gestores, falta de democracia económica, corrupção e de impunidade que ainda continua”, afirmou.

Por outro lado, a empresária referiu que não é possível termos uma economia forte quando não se tem um estudo de base. Filomena Oliveira manifestouse contra a Nova Pauta Aduaneira, sobretudo pelo facto de isentar a taxa para a importação do milho, do feijão e até da fuba de milho.

“Gastou-se muito dinheiro no âmbito dos projectos existentes pelo país, alguns dos quais financiados pelo Estado, como é o caso Angola/Investe, e agora isenta-se os produtos do campo de impostos”, lamentou.

Pelo exposto, Filomena Oliveira defendeu a necessidade dos empresários e os membros da equipa económica do Executivo se sentarem à mesma mesa, no sentido de os assuntos serem discutidos de forma desapaixonada.

Experiências de investimento

No período de perguntas e respostas, os participantes apresentaram questões, deram testemunhos das suas experiências e foram citados casos em que houve investimento para abertura de empresas.

É o caso do empresário e proprietário da Informacion Tecnology, detida pelo empresário Tito Chicombe, que investiu no sector das tecnologias em 2005, comprando aparelhos (computadores), e trazido da Índia um engenheiro de Network Hardware que trabalhavam com técnicos angolanos .

O proprietário reconhece que “eu tinha sabedoria, precisava dos inteligentes”, sublinhando uma teoria de Oseias Gomes, fundador e proprietário da OntoDente.

No entanto, os mais experientes foram deixando o projecto, situação que se agravou ainda mais com o despoletar da crise e provocou a paralisação do projecto. “ Será que o Executivo vai ajudar os empresários a reactivarem esses projectos”, interrogou-se.

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