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Kapela Paulo realiza visita de estudo à Escola de Arte Poto-Poto em Brazzaville

O artista que completou, muito recentemente, 71 anos foi homenageado numa exposição colectiva de 15 obras, por 13 artistas: Binelde Hyrcan, Diongo Domingos, Fernando Vinha, Francisco Vidal, Guizef, Kwame de Sousa, Mumpasi, Niandu Kapela, Ricardo Kapuka, Suekí, Uólofe e Van

Texto de: Augusto Nunes

O conceituado artista plástico angolano Kapela Paulo realizará entre os dias 18 e 22 de Julho, uma visita de estudos à Escola de Arte Poto-Poto, República do Congo-Brazzaville, onde estudou nos anos 60, e que não visita há mais de 50 anos. Nesta sua visita ao antigo Centro de Artes Africanas, actual Escola de Arte Poto-Poto, o célebre artista acompanhado pelo também artista plástico Diongo Domingos e por Dominick Tanner, este último, curador, produtor, crítico de arte e director da Galeria ELA – Espaço Luanda Arte.

Impressionado e expectante, o ancião enalteceu o gesto da Galeria, tendo adiantado que a ida à Brazzaville é um regresso às origens, particularmente ao antigo Centro de Artes Africanas, actual Escola de Arte Poto-Poto, onde se formou, o que permitirá reencontrar- se com alguns contemporâneos seus, reviver momentos que marcaram o seu percurso no mundo das artes, que segundo o artista, jamais se apagarão.

Ainda nostálgico, Kapela Paulo, admitiu que guarda muito boas memórias daquele centro de formação que, pela sua dimensão, tornou-se um berço dos artistas, onde cada um vivia intensamente a sua arte. Kapela Paulo lembra-se ainda dos mestres Donguso e Oba, que desenvolviam a técnica do mercado, uma técnica que bem conhece e domina até hoje de olhos fechados.

O artista recorda-se também dos momentos em que na mesma escola, brancos e negros pintavam lado-a-lado, sem qualquer tipo de discriminação. Impressões Já Dominick Tanner, director, produtor e curador do Espaço Luanda Arte, interpelado por OPAÍS, reconheceu a inquestionável posição que Kapela assume na Arte Contemporânea em Angola, não só pelo seu trajecto como artista, mas, também pelo facto de ter influenciado directamente toda uma geração de artistas angolanos que emergiram nos últimos tempos, e que se afirmam cada vez mais nas arenas nacional e internacional. Dominick Tanner recorda também que foi descoberto pela organização da Trienal de Luanda, e o seu único trabalho exibido pela Fundação Sindika Dokolo.

Refere ainda que artistas como Lino Damião, Marco Kabenda, Toy Boy, Nelo Teixeira, Kiluanje Kiá Henda e Yonamine, foram todos inspirados pela obra e pela vida de Kapela Paulo, uma vez que a maior parte deles viveu e conviveu importantes anos das suas vidas com o seu Mestre e Amigo. Kapela Paulo realizou a sua última Residência Artística no ELA – Espaço Luanda Arte, em 2017, com a exposição “Luvuvamu + Nzola” em Kikongo, que em português significa “Paz + Amor”.

A colecção incluiu dois trabalhos centrais, uma instalação que remetia para o ex-espaço do artista na UNAP e sete obras de grande dimensão em torno de sete figuras incontornáveis da sua história pessoal e do continente africano. Em simultâneo, observa-se assim o tradicional mosaico de obras na vertente ´Poto-Poto´ (a sua 1ª escola, e 1º amor), misturado com a vertente de colagens com escrituras (a sua 2ª escola, e 2º amor).

Percurso do artista

Paulo Kapela nasceu em 1947, em Maquela do Zombo, província do Uíge. É autodidacta. Começou a pintar em 1960 na Escola Poto-Poto em Brazzaville, República do Congo. Desde 1989 a viver e a trabalhar em Luanda, Paulo Kapela expõe internacionalmente desde 1995, tendo participado em várias exposições: I Bienal de Joanesburgo de nome “Africus”, e “Africa Remix”, tendo viajado por Londres, Paris, Tóquio, e demais cidades. Em 2003 venceu o Prémio CICIBA (Centro Internacional de Civilizações Bantu), em Brazzaville.

Em 2007 participou na exibição pictórica “Check List Luanda Pop” na 52ª Bienal de Veneza, Itália. Em 2009 a sua obra foi incluída na 2ª Trienal de Luanda, Angola, tendo no mesmo ano tomado parte da Exposição Colectiva “Luanda Smoth and Rave”, em França. Em 2013, a sua obra foi exibida na Exposição Colectiva intitulada “No Fly Zone”, no Museu Colecção Berardo, em Portugal.

Em 2015 realizou a sua primeira exposição individual em Angola, de seu título “Kapela”, na Galeria Tamar Golan, em Luanda.Recorde-se que o Congo é um dos centros mais antigos da Arte Bantu, cujo florescimento artístico, a partir do século IX, era dominado por máscaras, estátuas e relicários.

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