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PGR interroga Lucas Ngonda sobre desvio de dinheiro

Em causa está a acusação de desvio de dinheiros disponibilizados para as eleições de 23 de Agosto, além de imóveis e viaturas do partido. A acusação foi apresentada por militantes contestatários da ala liderada por Pedro Gomes à Procuradoria-Geral da república (PGr), em Setembro

Texto de: Norberto Sateco

O líder da FNLA, Lucas Bengui Ngonda, está a ser ouvido desde Sextafeira passada na Procuradoria-Geral da República (PGR), designadamente na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), devido a acusações que sobre si pesam referentes a um alegado desvio de dinheiro adjudicado ao partido para as eleições de 23 de Agosto, soube OPAÍS de fonte daquela instituição judiciária.

Segundo a mesma fonte, o processo encontra-se em segredo de justiça, estando o desfecho do caso dependente da fase de instrução preparatória, com destaque para as audições e outras diligências visando apurar a verdade material dos factos.

Entre as várias acusações levantadas pelos correligionários de Lucas Ngonda na FNLA afectos à ala contestatária liderada por Pedro Gomes, destaca-se o suposto desvio de dinheiro, cujo montante não foi revelado, apropriação de viaturas do partido, adquiridas no âmbito das eleições gerais de 2017, e demais património material, com destaque para a venda de um imóvel no distrito urbano da Maianga, província de Luanda.

“Nunca reuniu para se saber das contas do partido, muito menos explicou a forma como foi gasto o dinheiro do partido nas eleições”, comentou um dos antigos membros do Comité Central da FNLA, Joveth Sousa, para quem a crise instalada na FNLA é resultado da falta de visão do actual líder. Lucas Ngoda é referido como tendo comparecido na DNIAP pela terceira vez este ano, tendo as duas primeiras vezes ocorrido em meados dos meses de Abril e Maio.

À semelhança do líder do partido, o secretário-geral, Pedro Mulimbe Ndala, também está sujeito a interrogatório do Ministério Público. Questionado, Lucas Ngonda confirmou que foi ouvido na condição de declarante por aquela instância judiciária, mas acredita que faz o seu trabalho com base na verdade material dos factos.

“Há um processo, vamos esperar que a PGR certifique que Lucas Ngonda não desviou dinheiro. Houve queixas, é normal, o importante é que a instituição competente faça o seu trabalho”, referiu o líder da FNLA.

O político e também sociólogo desdramatizou o agudizar de uma propalada crise nas hostes dos “irmãos”, tendo atribuído tais “rumores”, que muitas das vezes são levantados na imprensa, a indivíduos sem qualquer legitimidade à luz dos estatutos daquela formação político-partidária.

Sobre o seu futuro na iderança da FNLA, o político na Oposição disse que tudo vai depender da vontade soberana da massa militante do partido dos “irmãos”.

“Infelizmente a FNLA foi uma vez mais usada e ridicularizada pela opinião pública nacional e internacional ao congregar, no congresso de 2015, todos aqueles que estavam desavindos e que, por conseguinte, foram eleitos para membros do Comité Central e do Bureau Político, mesmo sem nunca terem aparecido em reuniões, e hoje aparecem publicamente a denegrir a imagem da actual Direcção, acusando-a de estar a destruir o partido”, concluiu.

O Gabinete de Comunicação Institucional da Procuradoria da Republica foi contactado por OPAÍS para se pronunciar sobre este asssunto, porém, não emitiu qualquer resposta.

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