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Professores desactivados no Huambo recebem cesta básica de sindicalistas

Comovida com as peripécias que enfrentam os 904 professores desactivados das folhas de salários pelo Ministério das Finanças, no Huambo, a União dos Sindicatos dos Trabalhadores da Educação, Cultura, desportos e Comunicação Social local doou uma cesta básica para amenizar a sua situação de carência

Texto de: Stella Cambamba

Três milhões e 300 mil kwanzas é o montante que a União dos Sindicalistas do Huambo arrecadou até ao momento, através de uma campanha de solidariedade, para adquirir os bens alimentares que integram a cesta básica que está a distribuir aos seus filiados que se encontram sem os seus saláros. Nesta província, o Ministério das Finanças desactivou, em Abril do corrente ano, 2.080 professores do sistema salarial por, alegadamente, se encontrarem em situação irregular, nomeadamente dupla efectividade na função pública, documentos incompletos, entre outras falhas.

Esta medida levou, na altura, os profissionais do “giz” e o pessoal administrativo do sector a realizarem manifestações e greves que levaram à reintegração da maior parte deles, faltando 904 que já se encontram no quarto mês sem ordenados. Por este motivo, a direcção executiva da confederação sindical no Huambo optou por realizar este gesto solidário.

O presidente da União dos Sindicatos dos Trabalhadores da Educação, Cultura, Desportos e Comunicação Social local, Adriano dos Santos, explicou, em entrevista à Rádio Mais Huambo, que o seu elenco se predispôs a fornecer aos seus colegas uma cesta básica composta por 10 quilos de arroz, uma caixa de massa, 10 quilogramas de coxas de frango, três litros de óleo, uma barra de sabão e dois kg de açúcar, em gesto de solidariedade.

Numa primeira fase, destes bens beneficiaram 36 professores do município do Huambo, porém, a organização prevê estender as acções a todos os municípios da província. Dentro de dias serão contemplados os docentes dos municípios do Bailundo e Catchiungo.

Adriano dos Santos declarou que foi possível adquirir os bens graças à contribuição de todos os professores que se dispuseram a participar na colecta, apesar de considerar positiva a medida do Ministério das Finanças que, porém, peca pelos métodos aplicados para implementá-la.

O sindicalista revelou que têm acompanhado o desenrolar da história, e que sempre se opuseram à forma como está a ser implementada, por considerarem que existem outras que produziriam os mesmos resultados, porém, sem afectar os “legais”.

“Devia ser articulado com outros departamentos ministeriais, porque os documentos necessários e que levaram a esta tomada de decisão, quem deve dar é a entidade empregadora, como o contrato, o título de provimento, a nomeação em Diário da República”, detalhou. Referiu ainda que os documentos não dependem do funcionário.

“Por agora, a classe está penalizada, porque a esta altura se regista uma subida nos preços dos produtos da cesta básica. O certo seria indemnizar, o que em linguagem comercial se designa como juros de mora”, sugeriu. E acrescentou que “isso não acontecerá, pelo que vamos receber os salários do mês de Abril a Julho, estes já sem valor nenhum”.

Segundo Adriano dos Santos, recentemente, durante duas semanas, voltou a ser feito o cadastramento biométrico por uma delegação proveniente de Luanda, o que não foi suficiente para recadastrar todos os professores excluídos do sistema.

O presidente da União dos Sindicatos no Huambo declarou que ao nível nacional ainda há uma quantidade significativa de profissionais do sector da Educação nesta situação, uma vez que cerca de 16 mil foram apagados do sistema. “Para nós, trabalhadores, é uma obrigação o Executivo repor os nossos salários”, frisou.

Adriano dos Santos apontou o dedo ao Governo pelo que se está a passar, e declarou: “se há dirigentes ou gestores que colocaram fantasmas no sistema, o Governo deve criar condições para buscar esses indivíduos que introduziram fantasmas sem ter que prejudicar os simples funcionários”.

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