Jornalistas chamados a reflectir sobre o rigor da informação

Com a entrada em cena das plataformas digitais e com as redes sociais, muitos profissionais da comunicação social, e em particular os jornalistas, deixam-se levar pelo entusiasmo e pela alegada concorrência, ignorando os princípios básicos que regem a sua actividade. Jornalistas são chamados a terem em atenção o rigor da informação antes da divulgação

POR: Maria Teixeira

O Conselho Directivo da Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA) realizou, ontem, em Luanda, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um colóquio subordinado ao tema “O Rigor da Informação Jornalística”. O evento, que teve a participação de jornalistas renomados da praça angolana, serviu também para abordar questões ligadas aos desafios desta profissão face ao surgimento das redes sociais, que têm levado muitos dos profissionais, ante o imediatismo da informação, a ignorar os princípios básicos da divulgação de uma notícia.

Há que se ter cuidado com estes aspectos, segundo o jornalista Africano Neto, pois a pressão do tempo para emitir a notícia em primeira mão, que aumenta a possibilidade de se cometer erros na divulgação da nossa matéria, não nos deve levar a omitir princípios utilitários no exercício do jornalismo. O palestrante Africano Neto explicou ainda que o “o rigor da informação jornalística” tem vários factores, desde o económico, até a formação dos profissionais, incluindo a selecção daquelas pessoas que devem ter acesso às redacções. “Há muita cunha”, lamenta. “Para se entrar numa redacção havia um rigor sem precedentes, mas, hoje, as pessoas entram com muita facilidade e depois há um certo comodismo por parte dos jovens jornalistas, não com todos, pois alguns realmente se empenham”, acrescentou.

Fazer jornalismo criativo

Por sua vez, Paulo Mateta, jornalista e gestor de comunicação, referiu que mais do que um problema da ERCA, a questão do rigor da informação jornalística pertence aos gestores dos órgãos de comunicação. Lembrou que hoje há uma multiplicidade de órgãos e de meios, sendo que a concorrência das redes sociais deve merecer uma resposta adequada das empresas jornalísticas e dos jornalistas. “Neste momento, os jornalistas estão impelidos a melhorar o seu desempenho, a trazer histórias que cativem o público ouvinte, leitor ou telespectador; histórias que façam com que as pessoas considerem que vale a pena ouvir este e não aquele órgão”, declarou.

Segundo o responsável, os jornalistas estão diante de um grande desafio, que é um jornalismo cada vez mais criativo, mais inteligente e que, sobretudo, responda aos interesses e às questões que interessam aos leitores. Outrossim, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoloneke, evocou o recurso ao contraditório, fazer abordagens do mesmo facto sob ângulos diferentes, que para além da naturalidade e da actualidade ou da proximidade, pertinência e interesse público, ajudam o profissional a produzir matérias de muita qualidade.