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Jovens abordam transversalidade da obra “O Ocaso dos Pirilampos”

O encontro realizou-se no quadro da tradicional “Maka à Quarta-feira”, uma iniciativa da União dos Escritores Angolanos UEA, que contou com a parceria do Movimento Literário Litteragris

Texto de: Jorge Fernandes

O tema do debate versou a obra vencedora do prémio literário Sagrada Esperança (2013) de autoria do escritor e crítico de arte, Adriano Mixinge, tendo juntado os leitores e o autor, num encontro “intimista”, realizado na sede da UEA, esta Quarta-feira, 25 de Julho. Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, foi o primeiro a tomar a palavra, tendo na ocasião considerado o romance de Adriano Mixinge, um livro com enorme pendor subjectivo, intimista e confessional.

O também escritor referiu ainda, que o facto de a literatura espelhar diálogos que traduzem o monólogo experienciado pelo escritor, num mundo carregado de simbolismos, que convocados nesta obra, permitem olhar para uma das funções da literatura, enquanto obra de arte, pois ela antecipa a vida. Por isso, disse Carmo Neto, a literatura ensina a ser melhores pessoas, mais humanas, a olhar o passado e o presente com sentido crítico. Daí que o narrador, nesse particular, satiriza o poder, os seus proprietários e os seus clientes.

“O Ocaso dos Pirilampos é uma provocação para reflectirmos sobre nós, cidadãos do mundo, como seres humanos, como nação e como povos. Com essa obra, a literatura universal torna-se mais rica e, com obras de arte assim, se constrói um mundo melhor”, concluiu Carmo Neto. Movimento Litteragris Por sua vez, Hélder Simbad, do Movimento Litteragris, em nota introdutória, procedeu à apresentação do autor e lançou o debate com uma série de questões relacionadas às motivações que fizeram brotar esse produto literário.

A conversa foi fluindo e Adriano Mixinge aludiu que a ideia em escrever a obra surgiu do facto de pensar em fazer um romance experimental que fosse dizer qualquer coisa, que ainda tivesse dito no panorama literário angolano.

Apesar de viver fora de Angola desde os 11 anos de idade, Adriano Mixinge, disse que esse pormenor nunca o distanciou das raízes angolanas, pois sempre procurou buscar Angola através da literatura angolana. Entretanto, considerou imperioso não confundir ficção com realidade, embora uma das características da obra seja a subjectividade, em que cada leitor é responsável pelas conclusões que retirar da sua leitura.

Ainda assim, diz que tem estado satisfeito com os resultados da obra. “Se tivesse que escrever essa obra hoje, de certeza que a faria de outro modo. Tal como disseram os membros do júri Sagrada Esperança, fiz o romance com boa intenção e com o melhor modo, e que se reflectisse na elevação estética da literatura”, apontou.

Todavia, alguns leitores consideraram a obra como tendo um pendor profético e futurista, pelo facto de ter abordado questões sócio-políticas da época como o “boom” da Internet e da prisão de jovens angolanos, eclodindo com o mediático caso 15 mais duas. Ao que o autor esclareceu que não era esse o seu objectivo, embora tivessem dado bons resultados de mudança na arena política nacional, o que deveras é bastante agravável, sendo que a Internet por via das redes sociais é dos instrumentos que permitiu uma maior abertura no país.

Sinopse da obra

A obra é romance psicológico que explora sintomaticamente a temática sobre a questão do “perigo do poder nas mãos de um doente mental”, sendo que o discurso processa-se por via de um monólogo interior directo, como principal modo de representação e expressão. Refira-se que, à margem do diálogo, o autor aproveitou a ocasião para vender e autografar a aludida obra.

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