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João Lourenço recebe Kabila em Benguela

Os Presidentes de Angola, João Lourenço, e Joseph Kabila, da República Democrática do Congo, reúnem-se em Cimeira, no município do Lobito, Benguela, na próxima Segunda-feira, apurou o OPAÍS de fonte segura

POR: Eugénio Mateus

Fonte deste jornal disse que os dois estadistas passarão em revista a situação prevalecente no país vizinho, que tem na agenda a realização de eleições gerais em Dezembro do ano em curso, o que tem causado alguma celeuma nos meios políticos e da sociedade congolesa que denunciam démarches no sentido de Kabila concorrer a um terceiro mandato, contrariando os pressupostos de acordos celebrados a respeito. A situação política na RDC já tinha sido objecto de uma abordagem durante a visita que João Lourenço efectuou recentemente a França, tendo na ocasião referido sobre uma cimeira com outros estadistas africanos que, entretanto, realizou-se em Luanda sem a presença de Joseph Kabila por razões não aduzidas na altura.

As autoridades congolesas têm estado na mira de partidos políticos na Oposição, grupos de pressão como a Igreja Católica e organizações da sociedade civil, como dos estudantes universitários, que repudiam a hipotética candidatura de Kabila a um terceiro mandato nas próximas eleições, contrariando não só o “Acordo de São Silvestre”, como a própria Constituição. No plano internacional, o Chefe de Estado congolês também tem sido acicatado e, num exercício de última hora, Joseph Kabila desmarcou um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, para discutirem a situação da eleição presidencial no país vizinho. O encontro com estas duas personalidades, entretanto, foi reagendado pelo Goverano congolês para depois do dia 8 de Agosto, prazo limite para a apresentação das candidaturas à eleição presidencial, o que levou ao aumento da desconfiança em relação a uma eventual candidatura de Joseph Kabila, que tem sido esquivo quanto à sua posição no quesito candidatura.

Naquela que seria a oportunidade soberana para clarificar o seu status em relação ao processo eleitoral presidencial, Joseph Kabila deixou, ainda mais, a sociedade refém do seu plano secreto que ainda não revelou publicamente perante as duas câmaras do Parlamento da RDC. Kabila afirmou, numa clara resposta aos pronunciamentos que repudiam a sua hipotética nova candidatura, que “O Congo nunca deu lições a alguém e não está pronto para recebê-las. Sanções e ameaças não nos distrairão do caminho que escolhemos. Ide para as eleições”. Forças políticas e demais grupos de pressão se têm manifestado explicitamente contrários à gestão do silêncio e secretismo em relação ao assunto. A mais expressiva posição sobre o discurso proferido no Parlamento foi manifestado, de forma veemente, pelo deputado Claudel Lubaya, presidente da Aliança dos Movimentos do Kongo e da UDA Original.

O deputado Claudel Lubaya declarou que “Kabila escolheu sacrificar toda a nação pela sobrevivência pessoal”, acresentando que “Esta noite, contra a corrente da marcha da história, Joseph Kabila fez a escolha egocêntrica de sacrificar toda a nação pela sobrevivência pessoal. Ao violar assim o seu repetido juramento solene, ele acabou de quebrar, definitivamente, a ordem constitucional de Sun City e o acordo da véspera de Ano Novo”, disse. Em declarações reportadas pelo Actualité.cd, o político sublinhou que as pessoas não têm nada a ver com Joseph Kabila. “O povo congolês não tem nada a esperar de uma pessoa que acredita ser um monarca eterno, que não se importa com o seu sofrimento e que permanece indiferente às suas aspirações. O seu desejo insaciável de permanecer no poder defendendo a si mesmo e aos seus próximos, desafiando as leis e os interesses da República, coloca-o, a partir de hoje, do outro lado da história. As pessoas devem tirar todas as consequências”, acrescentou.

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