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Conferência internacional de Ecoturismo apresenta a biodiversidade de angola

O município de Kalandula albergou, nesta Sexta-feira, a Conferência internacional Sobre Ecoturismo e informação Ambiental, dedicada ao tema “As Aves de Angola, a Ecologia e o turismo” que serviu para expor o potencial da fauna, da flora e da biodiversidae de Angola. Participaram no evento entidades governativas centrais e locais, diplomatas, especialistas, empresários e convidados.

  • Texto de: Miguel José, em Malanje
  • Foto de: Virgílio Pinto

No discurso da abertura do evento, a ministra do Turismo, Ângela Bragança, afirmou que a riqueza da biodiversidade faz do ecoturismo uma vertente forte a desenvolver, através do uso racional e sustentável dos recursos naturais, que favorece a sua conservação e, ao mesmo tempo, o bem-estar das populações locais.

Ângela Bragança considera que o desafio de promover o turismo em Angola como uma fonte de arrecadação de receitas e geradora de postos de trabalho, consiste numa aposta do Executivo confiada ao Ministério do Turismo, com a responsabilidade de o dinamizar, em estreita relação com outros departamentos ministeriais, organizações, associações, operadores turisticos e o sector privado com vocação para o efeito.

Porém, estes últimos deverão ser envolvidos nos programas sócio-económicos e proporcionar-se-lhes a componente da Educação para o reforço da consciência ambientalista.

A titular do Sector do Turismo, Ângela Bragança, mencionou que Angola consta no rol de destinos turísticos ímpares dos países africanos, com forte tendência crescente do ecoturismo no mundo, o qual atrai um grupo específico de turistas amantes da natureza, cuja motivação é a observação e a apreciação dos factores ambientais da fauna, flora e de toda a biodiversidade que, no Sul, patentea toda a sua beleza torneada pelo rio Okavango, que nasce no Bié, atravessa o Cuando Cubango e desagua em leque em pleno deserto – o Delta do Okavango.

“É neste contexto que se insere o aviturismo, ao que também se designa ‘Turismo Ornitológico’(turismo de observação de aves no seu habitat natural). É um segmento de regras específicas que clamam pela dessiminação de boas práticas, como a liberdade das aves e não o seu enclausuramento em gaiolas, tampouco a sua domesticação ou reprodução em cativeiro para fins comerciais”, frizou.

Todavia, Ângela Bragança assegurou que uma atenção especial deverá ser dada aos alojamentos e outras infra-estruturas de apoio aos turistas, as quais deverão ser alvo de alguma regulamentação, assim como avaliar os impactos económicos, sócioculturais e anbientais da intensificação da actividade turística na área de conservação.

Augura que a partir da conferência todos os olhos estarão no segmento do turismo e, por isso, será importante definir uma estratégia multudisciplinar, englobando a acção concertada entre o poder público e privado para que o aviturismo seja uma realidade.

Governo de malanje quer investidores

O governador anfitrião, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, disse que devido ao enorme potencial natural que Malanje possui, quer do ponto de vista do clima, quanto de ecossistemas que abrigam várias espécies raras da flora e da fauna, propôs ao staff do Governo que dirige algumas ideias para acolher investidores, por ser cada vez maior o número de turistas que visitam a província e que precisam encontrar acomodação compatível com as suas possibiliades, assim como os respectivos serviços de apoio.

Fazendo menção ao velho adágio “Nós não herdamos a terra dos nossos antepassados, pelo contrário, recebemo-la emprestada dos nossos descendentes”, “Kwata Kanawa” declarou que os recursos naturais devem ser explorados de forma sustentável com vista a garantir a sobrevivência das gerações vindouras.

Por conta disso, aconselha que a preservação do meio ambiente deve-se afigurar como um compromisso de todos, desde as instituições públicas, a sociedade civil, a academia, a empresários e a cidadãos comuns.

Captação de turistas

À margem do evento, o administrador de Kalandula, Pedro Dembwé, considera que a Conferência InternacionaL de Ecoturismo, a primeira no país, é uma oportunidade de divulgar ao mundo, o potencial turístico do seu município e despertar o interesse de turistas nacionais e estrangeiros a conhecerem e desfrutarem da sua fauna e flora, uma vez que a região é conhecida apenas pela imponência das quedas de Kalandula.

Porquanto, o aviturismo é mais um elemento novo que vai proprcionar novas oportunidades de emprego para a juventude e garantir a sustentabilidade da população ao redor das localidades onde residem as aves raras.

“O nosso município a partir de agora ganha um novo estatuto. Porém, todos os turistas que visitarem Kalandula vão, certamente, ir ao encontro da ave rara “cocifa de cabeça branca”, que no mundo só existe aqui e na República Democrática do Congo – regozijou-se -, associada às quedas de Kalandula, Museleje, Mbango-a-Nzenze, enfim (…), são activos que, segundo o administrador, farão com que os turistas acorram ao município.

O empresário José Semedo, ligado ao agroturismo, refere que o ecoturismo é um sector chamado a captar a atracção de turistas nacionais e estrangeiros, no sentido de rapidamente trazer para o país, um crescimento sustentável a nível das zonas rurais que muito precisam e vai ajudar a melhorar as vias de acesso às localidades, assim como gerar empregos para os jovens.

Entende que, com a realização da conferência, estão lançadas as bases necessárias para uma consciencialização mais profunda a nível das comunidades sobre as práticas recorrentes de queimadas e de abate indiscriminado de aves.

“Com esta Conferência, acredito, tirámos ideias concretas para maior preservação das nossas matas, da fauna da flora, de modo a proteger espécies de Angola”.

Desenvolvimento da avifauna angolana

No fim do evento, a ministra do Ambiente, Paula Coelho, informou que investigação científica sobre o desenvolvimento da ‘avifauna’ angolana e a importância das aves, sobretudo migratórias, vão prosseguir no país, para o fomento e criação de áreas de conservação ambiental e do turismo de observação de aves.

Porém, o seu Sector tem trabalhado, em conjunto, com o Ministério da Agricultura e Florestas, no intuito de melhorar o ordenamento ambiental, implementar programas de educação ambiental, priorizando os vários ecossistemas ligados aos sectores de minas, pesca, energia, água, entre outros.

Paula Coelho afirmou que das várias investigações científicas já efectuadas, apurou-se que as áreas de conservação devem estar inseridas nas premissas da UNESCO, através da criação de reservas de bioesfera e de áreas de conservação transfronteiriças na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para a protecção da avifauna e a nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para facilitar o diálogo sobre a matéria no seio das comunidades. De tal sorte, a titular do Ambiente anunciou a realização, ainda este ano, de uma conferência internacional sobre as áreas de conservação ambiental e impacto da alteração climática.

Por isso, invocou a participação activa dos ambientalistas, com vista a uma discussão sobre avifauna nacional. Promovida pelo Governo Provincial de Malanje, a “Conferência Sobre Ecoturismo e Informação Ambiental” foi marcada por palestras sobre a política ecológica em Angola, o “Aviturismo em Angola”, “Cooperação entre Angola e Índia nos Domínios do Turismo”, “Agricultura e Educação, entre outros.

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