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falta de dinheiro compromete programa de formação de quadros

Desde que começou a ser executado na prática, em 2013, o programa que prevê formar, até 2020, 180 mil quadros nacionais de nível superior, ainda não atingiu 50 por cento da meta estabelecida

Texto de:  Domingos Bento

A falta de recursos financeiros está a comprometer e a condicionar a execução das acções formativas do Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ), que prevê, até 2020, formar cerca de 180mil quadros nacionais de nível superior nas mais diversas áreas de actividade.

Em entrevista a OPAÍS, à margem do 4º Encontro Nacional sobre Emprego e Formação Profissional, Nyanga Viande Tyitapeka, coordenadora-adjunta da Unidade Técnica de Gestão do PNFQ, disse que o referido programa, criado em 2010, só teve a sua execução prática em 2013 e ainda não conseguiu atingir os 50 por cento da meta estabelecida, devido aos constrangimentos financeiros que o país atravessa, derivados da queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional.

“De 2010, altura em que se fez o plano, até 2020 temos um período de dez anos. Ora, a partir do momento em que foi criado o projecto, até ao ano do início da da execução prática, em 2013, já havíamos perdido três anos. Ficámos com sete anos para implementar as acções previstas”, notou.

Segundo Nyanga Viande Tyitapeka, de 2013 a 2016 o referido
programa formou apenas 50 mil técnicos de nível superior, apresentando-se assim muito abaixo da expectativa. O maior problema, tal como explicou, prendese com a contratação de professores, já que não existem recursos para remunerá-los.

“O PNFQ foi elaborado num contexto macroeconómico bastante favorável, mas actualmente o contexto é desfavorável. Temos sérios constrangimentos ao nível da contratação de professores. Portanto, o programa não tem professores em quantidade suficiente para poder atingir os números que pretendemos. Temos ainda constrangimentos relacionados com as infra-estruturas e com a própria oferta formativa”, frisou.

Nyanga Viande Tyitapeka fez saber ainda que, além da formação de quadros de nível superior, o PNFQ tem um outro programa e acção de formação para outros níveis: médio, mestrados e doutoramento. Cada um destes programas, conforme referiu, tem as suas metas, mas também ficaram a 50 por cento da meta.

Manter a equipa coesa Temos ainda dois anos para o programa ser concluído, mas, por ora segue com um saldo negativo, podendo não cumprir todas as metas preconizadas dentro do prazo estabelecido.

Ainda assim, Nyanga Viande Tyitapeka afirmou que, apesar das mudanças ao nível dos órgãos ministeriais que compõem a comissão interministerial para a implementação do PNFQ, o próximo desafio será manter a equipa coesa, dar continuidade aos trabalhos e envolver outros actores no processo, de forma a tornar o programa mais participativo.

“Houve uma quebra significativa na oferta formativa de 2014 para 2015. Veja que o IFAL formava, em 2014, cerca de 20 mil quadros, e em 2015 passou para mil. As empresas têm de participar mais nesta questão do programa, têm que conversar mais com as instituições de ensino para que se consiga, realmente, quadros para a economia real”, finalizou.

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