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Especialistas destacam biodiversidade e turismo em Angola

Na conferência Internacional de Ecoturismo e Informação Ambiental”, os especialistas revelaram que Angola é um país que ostenta um grande potencial natural, com a particularidade única de congregar no território diversos ecossistemas, como a floresta fechada, a floresta aberta, a savana, o ecossistema de montanha e até o deserto

Texto de: Miguel José, em Malanje

O especialista do Ministério do Turismo Rui Jorge Lisboa explicou que os diferentes ecossistemas e a abundância de água no território angolano proporcionam a existência de uma grande quantidade e diversidade de fauna, flora e paisagens naturais, que representam o principal atractivo para o desenvolvimento do turismo e que deverá ser complementado com a riqueza cultural, histórica e a própria hospitalidade do povo angolano.

 

Segundo o Rui Jorge Lisboa, o turismo é parceiro ideal da biodiversidade, desde que a actividade turística seja feita de forma sustentável, o seu papel é reconhecido pela Convenção sobre a Diversidade Biológica, que considera o excursionismo como um factor chave para a protecção da biodiversidade.

No entanto, afirmou que a Organização Mundial do Turismo (OMT), definiu um conjunto de princípios para o desenvolvimento do turismo, que inclui o uso eficiente de recursos naturais, pois estes constituem um elemento chave para o desenvolvimento do turismo.

Nesta senda, o conceito do Ecoturismo surge num segmento de actividade turística que utiliza, de forma sustentável, o património natural e cultural, incentiva a sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações locais. “O Sector do Turismo representa 10% do PIB mundial (7.6 trilhões de dólares), criando 277 milhões de empregos”, sublinhou.

Acrescentou que, nos últimos anos, as taxas de crescimento do turismo têm sido mais aceleradas comparativamente a outros sectores mais relevantes, como a indústria automóvel, serviços financeiros e saúde. No entanto, resumiu, o ecoturismo é um segmento turístico que, proporcionalmente, mais cresce no mundo, na ordem dos 15 a 25% por ano, enquanto o turismo convencional cresce 7,5% ao ano; pelo que, actualmente, estima-se que 10 % dos turistas em todo o mundo tenham como demanda o ecoturismo.

Situação actual do turismo em Angola

De acordo o conferencista, durante algum tempo predominou no país o segmento do turismo de negócios, em função das oportunidades que a economia proporcionava nos mais variados sectores. Contudo, a crise afectou grandemente o sector, tendo-se registado uma queda acentuada a nível do turismo interno e externo. Assim, o sector procura mudar de paradigma, apostando no ‘Turismo de lazer’, com particular ênfase para o segmento do ecoturismo.

O diagnóstico apresentado sobre a situação actual do turismo em Angola revela dificuldades de acessos aos principais pontos turísticos, a inexistência de infraestruturas e serviços básicos nas áreas de grande potencial turístico e os custos elevados no alojamento e bilhetes de passagem. Em face à politica de diversificação da economia, as intuições inter-estatais e privadas foram chamadas a trabalhar em conjunto para equacionar a política de isenção e flexibilização na aquisição de vistos; criação de um novo destino turístico; atracção de investimento para construção de infra-estruturas de alojamento e restauração nas áreas de interesse turístico; geração de receitas em divisas, através da atracção de turistas estrangeiros; criação de empregos, principalmente para a camada jovem; melhoria da vida das comunidades que vivem nos locais de interesse turístico.

Tendo em conta a estabilidade política e militar, associada à natureza em estado puro e sem indícios de artificialidade; o enorme potencial faunístico, caracterizado por uma grande quantidade e diversidade de fauna; as espécies emblemáticas da fauna mundial que habitam nos parques nacionais de Angola; paisagens naturais de rara beleza; a riqueza cultural e histórica do país, sem deixar de fora a hospitalidade do povo angolano, são factores favoráveis.

Porém, a caça furtiva, a destruição do habitat natural, a ocupação de áreas com grande potencial para o ecoturismo por parte de outros sectores, como a Agricultura, a Indústria, Geologia e Minas, são ameaças que podem reduzir, grandemente, a densidade de fauna selvagem e prejudicar o interesse para o ecoturismo e a actividade turística.

Acções em curso para alavancar o turismo

Estando o Ministério do Turismo numa fase de reestruturação, precisamente para responder aos desafios actuais do sector, foram definidas linhas concretas de actuação para a sua prossecução, a destacar: a actualização do inventário dos recursos turísticos; o planeamento e ordenamento turístico do território para a estruturação do turismo a nível nacional; a actualização do Plano Director do Turismo e elaboração dos planos directores provinciais e municipais, a criação dos roteiros turísticos; a promoção do investimento no sector; a promoção das potencialidades turísticas da região; a criação da marca Angola para projectar o país como um destino turístico; a operacionalização da Comissão Multissectorial para tratar de assuntos transversais que afectam a actividade turística; a actualização da legislação do sector.

Contribuições para o fomento do aviturismo

Dados preliminares indicam a existência de um potencial para a promoção do aviturismo por ser um segmento importante do ecoturismo, com uma tendência de crescimento.

No entanto, para o seu fomento é pertinente a execução de acções que identifiquem os locais com potencial para o aviturismo e conceder aos referidos locais uma protecção legal, para a sua conservação.

Também o envolvimento das comunidades na actividade do aviturismo e a sua consciencialização ambientalista, para a protecção dos locais, podem contribuir de maneira positiva para a criação de observatórios de aves em áreas privilegiadas; na abertura de trilhos específicos e sinalização que facilitem a circulação dos turistas para observação das aves; na criação de roteiros específicos do aviturismo; na implantação de uma gama de infra-estruturas e serviços que facilitem a deslocação e permanência de turistas e na formação de guias especializados.-

 

Cooperação de Espanha

O embaixador do Reino de Espanha acreditado em Angola, Manuel Hernández, garantiu que o Governo do seu país vai continuar a apoiar Angola em todos os aspectos de desenvolvimento do sector turístico, na perspectiva de promover a diversificação da economia.

De acordo com o diplomata, em virtude de Angola possuir grande potencialidade no domínio do turismo, sobretudo o ecológico, o seu país tem interesse em apoiar o crescimento, tirando partido da sua experiência.

Pois, sendo a Espanha o segundo país do mundo mais visitado em 2017, conferiu visitas na ordem de 82 milhões de turistas devido às políticas de atracção. “Agora, a facilitação de vistos que o Governo criou para turistas europeus, que pretendem entrar em Angola, é um passo em frente, rumo ao desenvolvimento do turismo”, aplaudiu.

Política Ecológica e da Biodiversidade em Angola

A política ambiental do país, em conformidade com a Constituição da República de Angola (CRA), determina que o Estado “adopta as medidas necessárias à protecção do ambiente e das espécies da flora e da fauna em todo o território nacional, à manutenção do equilíbrio ecológico, à correcta localização das actividades económicas e à exploração e utilização racional de todos os recursos naturais (…)” e garante que “A lei pune actos que ponham em perigo ou lesem a preservação do ambiente” (Artigo 39º Direito ao Ambiente).

Na sequência da estratégia do Governo de Angola até 2022, no que a “Biodiversidade e Áreas de Conservação” diz respeito, tem como objectivo melhorar a conservação das espécies da macro-fauna, através da introdução e protecção dos mesmos, assim como promover a gestão qualificada dos parques nacionais e diversificar o Estatuto das áreas de conservação.

Porém, a meta a atingir consiste em aumentar o número de animais de grande porte, em pelo menos 1400 animais; ter nos parques nacionais as estruturas de gestão funcionais e criar novas áreas com diferentes estatutos de conservação. Para tal, o Governo propõe efectuar o inventário da macro- fauna; introduzir animais de grande porte nos parques nacionais; reforçar a estrutura de gestão dos parques nacionais; identificar áreas potenciais para conservação da biodiversidade; atribuir Estatuto de Conservação a três novas áreas; criar novas áreas de conservação.

Todavia, o Ministério do Ambiente (MINAMB), como órgão do Executivo responsável pela criação e implementação da política ambiental no país, dentre as quais a gestão da Biodiversidade e Áreas de Conservação, criou instrumentos orientadores, designadamente: Estratégia e Plano Nacional da Biodiversidade; Plano Estratégico da Rede Nacional de Área de Conservação de Angola; Plano de Acção Nacional para o Marfim. Enquanto isso, em curso estão: o Programa Biológico Nacional; o Plano Estratégico do Sistema de áreas de Conservação em Angola; o Plano de Acção para Elefante NEAP; Estratégia de Combate ao Trafico de Marfim.

Com isso, considerando a necessidade de assegurar a implementação das políticas e estratégias ambientais, referentes à protecção preservação e conservação da biodiversidade para a melhoria dos ecossistemas de alto valor ecológico e sócio-económico, para manter o equilíbrio ecológico, em especial das espécies ameaçadas de extinção no MINAMB, em 2011, foi criado um órgão interno com missão de assegurar a execução da política de conservação da biodiversidade, para determinar o estado de conservação das espécies, os ecossistemas vulneráveis e sua recuperação, bem como diversificar as categorias de áreas de conservação em Angola.

A visão consiste em promover o conhecimento da biodiversidade a nível nacional, preservar e assegurar o uso sustentável dos recursos biológicos, bem como a gestão eficaz da rede nacional de Áreas de Conservação.

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