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Tribunal condena jovens que tentaram matar uma professora

 O Tribunal Provincial da Huíla (TPH), 2ª Secção da Sala dos Crimes Comuns, condenou dois jovens a pena de 18 anos de prisão maior, pelo envolvimento na prática de um homicídio frustrado de uma professora

Texto de: João Katombela, na Huíla

Os réus, Adilson Manuel Ferreira Boia, Félix Tchicundja Manuel Silvano e António Hilupa Maya Lucano, vinham acusados dos crimes de roubo qualificado e ameaças com arma de fogo contra uma cidadã em Novembro de 2017. Para o juiz da causa, Marcelino Tyamba, ficou provado que os réus cometeram os crimes de que vêm acusados, com a excepção de António Hilupa Maya Lucano, já que este foi absolvido por falta de provas.

Rezam os autos que no período da tarde do dia 29 de Novembro de 2017, os réus interpelaram a professora Anália Afonso dentro do quintal do seu local de trabalho, na Escola do Iº Ciclo nº 50. Dentro da viatura da professora, os meliantes, com uma AKM anunciaram o assalto, retiraramna do lugar do condutor e colocaram- na no banco de trás, sob a mira da referida arma.

Os meliantes conduziram a viatura a um ermo da localidade da Quilemba, arredores da cidade do Lubango, onde agrediram a vítima com uma coronhada na região craniana. Foi ainda asfixiada por um dos meliantes, tendo a professora instintivamente fingido um desmaio, mas ainda assim os meliantes tiveram a ideia de a lançarem para uma vala de lixo.

Depois disso, os três meliantes efectuaram na direcção a vítima três disparos, mas esta conseguiu pôr-se em fuga e foi socorrida por algumas pessoas que circulavam no local, tendo mais tarde participado a ocorrência do assalto ao Comando Municipal da Polícia Nacional.

Durante as audiências de produção de provas, ficou provado que os réus Adilson e Félix terão cometido o crime de que vêm acusados, por isso o juiz condenou- os a 18 anos e absolveu António Lucano por insuficiência de provas. Sobre esta decisão do tribunal (da absolvição), o advogado de acusação, José Carlos, não concorda, pelo que vai interpor recurso junto do Supremo.

“Quanto ao arguido Lucano, houve o exercício da parte do meritíssimo em impedir que fosse lavrado em acta o requerimento de interposição de recurso, mas ainda assim vamos fazê-lo, porque não concordamos que ele seja absolvido” disse. Os advogados de defesa dos réus vão igualmente interpor recurso, junto do Tribunal Supremo, pelo facto de acreditarem que há inexistência de coerência no processo.

Félix Capaxe, advogado do réu Adilson Manuel Ferreira Boia, detalhou as irregularidades (para si) encontradas no processo: “Uma das irregularidades que se verifica no processo é que o arguido que nós representamos veio simplesmente identificado pelo facto de ser mulato” explicou. Por seu turno, a mãe da vítima, Elizabeth dos Santos, disse que, apesar de ser reduzida a pena dos réus condenados, a justiça foi feita.

Lamenta o facto de terem absolvido um dos réus. “Agradeço a Deus com o sentimento de que a justiça foi feita, mas não estamos satisfeitos com a absolvição do outro rapaz, porque foi em sua casa que foi encontrada a viatura. O SIC só chegou até à casa do António porque nós recebemos informações de que a viatura estava a ser vendida”, acrescentou.

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