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“Crescimento económico mundial segundo o FMI”

O Fundo Monetário Internacional (FMI ) divulgou no dia 16 de Julho do corrente ano a actualização das projecções do crescimento mundial do último relatório World Economic Outlook (WEO), publicado em Abril. A instituição de Bretton Woods prevê um crescimento económico mundial de 3,9% em 2018 e 2019, que apesar de manter-se em linha com as perspectivas divulgadas no WEO de Abril de 2018, destaca que a expansão tem-se tornado menos uniforme e os riscos associados às projecções têm aumentado.

POR: Atlantico

O facto do crescimento económico de algumas economias avançadas ter atingido o pico, deverá contribuir para que o crescimento se torne menos sincronizado. Nesta perspectiva, as projecções de crescimento das economias desenvolvidas, em 2018, foram revistas em baixa, de 2,5% para 2,4%. Em termos desagregados, a perspectiva de crescimento dos Estados Unidos da América (EUA) manteve-se em 2,9%, as projecções para a Zona Euro, o Reino Unido e o Japão registaram reduções de 0,2 p.p., cada, situando-se em 2,2%, 1,4% e 1%, respectivamente. O crescimento da economia norte- americana deverá ser suportado pelo aumento da produção, derivado dos estímulos fiscais e robustez do consumo privado, com o consumo a contribuir para o incremento das importações e para um mercado de trabalho dinâmico, com a taxa de desemprego a atingir mínimos históricos.

Mas estima-se que a dinâmica de crescimento registe moderação, a medida que a longa recuperação cíclica cesse e os estímulos fiscais vão sendo retirados da economia. Na Zona Euro, os ajustamentos em baixa das projecções, resultam do abrandamento acima do esperado da actividade económica de países como a Alemanha e a França, durante o primeiro trimestre do ano corrente. Segundo o FMI, num estudo ao abrigo do Artigo IV à Zona Euro, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Brexit, terá um impacto negativo sobre toda região. O FMI calculou o efeito na economia dos 27 países que permanecem na UE e estima que a diminuição do Produto Interno Bruto no longo prazo poderia atingir uma média de 0,8% até 1,5%. Importa ressaltar que em alguns países como a Irlanda, Bélgica e Holanda o impacto poderá ser mais intenso, sendo que no caso da Irlanda o impacto poderá atingir cerca de 4% do crescimento do país, um custo semelhante ao estimado para o Reino Unido.

No Japão, a moderação no consumo privado e no investimento apurado no primeiro trimestre do ano corrente, influenciou a revisão em baixa registada. Entretanto, espera-se uma inversão do cenário que deverá ser impulsionada pelo fortalecimento do consumo privado, procura externa e investimento. Em meio a incertezas sobre a evolução das relações de comércio multilateral, o acordo de livre comércio assinado recentemente entre o Japão e a União Europeia, poderá atenuar os receios de uma era de proteccionismo exacerbado no comércio mundial. Destaca-se que as exportações do Japão e da União Europeia foram afectadas com a imposição das tarifas norte-americanas de 25% e 10% sobre o aço e o alumínio, respectivamente.

O acordo com implementação prevista para o primeiro trimestre de 2019, poderá resultar na constituição da maior zona de livre comércio ao reunir perto de 30% do PIB mundial, e deverá desagravar as taxas aduaneiras até 99% dos produtos japoneses importados pela UE e 94% dos produtos da UE importados pelo Japão. Para as economias emergentes e em desenvolvimento, as projecções mantiveram-se inalteradas, apesar do misto de acontecimentos desenrolados nos últimos meses, que passam pelo aumento do preço do petróleo, aumento das taxas de juro nos EUA, valorização do dólar, tensões comerciais e conflitos geopolíticos. A perspectiva de crescimento individual dos países varia, mas, como um todo espera-se alcançar uma expansão de 4,9% em 2018 e 5,1% no ano seguinte. A evolução do preço das commodities destaca-se como sendo o principal impulsionador da recuperação económica dos países da África Subsaariana que viu as suas projecções aumentar de 2,8% em 2017 para 3,4% no ano corrente e 3,8% em 2019, salientando que para o próximo ano o FMI reviu em alta o crescimento em 0,1 p.p.

face ao WEO de Abril. Por outro lado, a aceleração do crescimento económico da Nigéria, que poderá passar de 2,1% em 2018 para 2,3% em 2019 (uma revisão de 0,4 p.p. acima das previsões feitas no WEO de Abril) também contribuiu para a melhoria das projecções dos países da região em 2019. No seguimento da actualização das projecções, o FMI reviu em baixa o crescimento do volume de comércio mundial de bens e serviços para 2018 e 2019, situando-se em 4,8% e 4,5%, uma queda de 0,3 p.p. e 0,2 p.p., respectivamente, e adverte que apesar das projecções para o crescimento mundial manterem-se inalteradas, as tensões comerciais entre os EUA e os seus parceiros podem penalizar a expansão económica no curto prazo, tendo em consideração que a intensificação das tensões comerciais poderão penalizar a confiança e os investimentos, o que poderá se reflectir num menor ritmo do crescimento económico mundial.

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