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Mais de 115 mil candidatos a professores ficam de fora

O Ministério da Educação pública hoje, em todo o país, as listas dos candidatos admitidos ao concurso público de professores realizado no dia 10 do corrente mês. Pelo que OPAÍS, através de um trabalho minucioso, estampa o número de cidadãos que se inscreveram, por província, num rácio de sete por cada vaga

POR: Paulo Sérgio

Mais de 140 mil jovens ávidos por ingressar na função pública inscreveram- se no concurso público para provimento de 20 mil vagas de professores. Entretanto, mais de cinco mil deles foram excluídos na triagem, em virtude da idade e da falta de agregação pedagógica, tal como apurou OPAÍS. Segundo dados contabilizados por este jornal e baseados em informações obtidas das delegações de Educação das 18 províncias, o número de candidatos inscritos ascende aos 140 mil, porém, nem todos foram admitidos aos exames.

Tal informação é confirmada pelo Ministério da Educação que, Sábado, através de um comunicado de imprensa, afirmou que 135 mil candidatos fizeram, quase que em simultâneo, a prova escrita de acesso, em todo o território nacional. Havendo apenas 20 mil vagas, 115 mil candidatos ficam de fora.

A capital do país, que foi a maior beneficiada, com 2.650 vagas, foi a mais concorrida, com um rácio de oito candidatos por vagas, uma vez que ao exame de admissão foram admitidos 22 mil e 467 concorrentes, de um universo superior a 30 mil inscritos, uma boa parte dos quais foi excluída na primeira triagem feita pela equipa de jurados de Luanda, encabeçada pelo director do Gabinete Provincial de Educação, Narciso Benedito. Embora figure entre as províncias que menos vagas receberam, o Uíge está em segundo lugar entre as que inscreveram um maior número de potenciais professores, ao atingir o rácio de 29 candidatos por cada vaga. Os dados a que OPAÍS teve acesso apontam que 23 mil e 866 pessoas concorreram pelas 807 vagas, entre as quais, 20.834 concorreram para vagas destinadas ao ensino primário.

A província do Huambo, a quarta mais beneficiada com vagas, 1.372, ocupa o terceiro lugar, com 13 mil e 104 concorrentes inscritos, atingindo o rácio de oito pessoas por cada vaga. Contudo, deste número, na primeira triagem também foram excluídos 1.111, levando a que volume de indivíduos em condições de fazer o exame ficasse em 11 mil e 993. Benguela aparece em quarto lugar com 10 mil e 103 cidadãos inscritos para concorrerem por uma das 1.376 vagas disponíveis para os seus dez municípios. No entanto, no dia da prova este rácio baixou de sete para seis candidatos por vaga, uma vez que somente 8 mil e 900 deles compareceram aos locais para serem examinados. Entre as províncias com menos vagas disponíveis, mas que registaram uma adesão acentuada de candidatos, acima dos dez mil, figura o Bengo, com mais de 10 mil inscritos, entre os quais 9.999 foram seleccionados para concorrer às 857 vagas. Em sexto lugar está a província do Moxico, onde 7 mil jovens ambicionam ingressar no funcionalismo público, viram atribuída a quota de 941 vagas para professores pelo Governo central.

Já a segunda província mais populosa do país, a Huíla, por isso, sendo a segunda à qual o Ministério da Educação atribuiu mais vagas para reforçar o sector, isto é, 1.584, as mesmas não despertaram tanto interesse assim, como se verificou nas supracitadas regiões. Segundo o que OPAÍS apurou na direcção local da Educação, 5 mil e 375 cidadãos se inscreveram para uma das 1.584 vagas, dos quais, menos 181 foram admitidos ao exame de acesso. Razão pela qual, somente 5 mil e 194 foram submetidos ao teste de admissão. O Cuanza-Sul, a quinta província com mais habitantes de Angola, “cilindrou” a Huíla ao inscrever 577 cidadãos a mais no tempo em que decorreram as inscrições. No total, 5 mil e 952 jovens manifestaram, por escrito, a pretensão de concorrerem às 1.414 vagas disponíveis, porém, apenas 5 mil e 547 estiveram em condições de fazer a prova. Entretanto, na data marcada, somente 4 mil e 196 compareceram aos locais indicados para o efeito.

Com menos candidatos

As províncias menos populosas, de acordo com o Censo de 2014, figuram também entre as que registaram menos candidaturas. Não obstante isso, o rácio de candidatos por vaga varia entre seis a três por cada. A sexta província menos populosa do país, o Zaire, foi a que menos inscrições conheceu. Segundo OPAÍS apurou, inscreveram-se 2 mil e 541 concorrentes para uma das 768 vagas. A seguir está a província do Cunene, que não figura entre as seis menos populosas, com 2.222 concorrentes às 686 vagas para professores nos três níveis do subsistema de ensino não universitário. A terceira menos concorrida foi a Lunda-Sul, que, diz o Censo Geral da População e da Habitação, ocupa o quinto lugar entre as seis menos populosas do país, onde somente 3 mil e 313 jovens se candidataram às 1.000 vagas disponíveis. Entre eles, à semelhança do que aconteceu nas demais províncias, ao fazer- se a triagem constatou-se que apenas 2 mil e 847 reuniam os requisitos para fazerem os exames (ver gráfico abaixo).

“Sonho” de baixar o rácio aluno/professor

O país necessita de setenta mil novos professores para a cobertura total do sector, adequando assim o rácio professor/aluno a números aceitáveis, segundo uma fonte deste jornal no Ministério da Educação. Saliente-se que, para suprir esta necessidade, o Governo prevê realizar anualmente um concurso público do género, como anunciou Maria Cândida Teixeira, a titular da pasta da Educação, após proceder à distribuição de provas a alguns dos 4.873 concorrentes para as 900 vagas disponíveis na província do Namibe, no dia 10. É meta do Executivo, segundo o seu programa de governo para o quinquénio 2017-2022, baixar o rácio aluno/professor para 35 alunos na classe de iniciação e 45 no ensino primário e secundário em pelo menos 85 por cento das escolas. Nesta altura se estima-se existirem acima de dois milhões de crianças em idade escolar fora do sistema de ensino. Por cumprir nos próximos quatro anos, tendo em conta que, dentro de 67 dias, o actual Governo vai completar um ano em funções, isto é, a 27 de Setembro, estão a criação de “um sistema de educação com mais qualidade, eficiência e integração”, “reduzir a taxa de reprovação e de desistência nos ensinos primário e secundário a 10 por cento”, bem como “ampliar o número de salas de aulas e recrutar mais professores”.

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