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Yuri Quixina: “Só com formação e emprego é que se combate a economia informal”

O professor de Macroeconomia, Yuri Quixina, entende que a queda da inflacção no primeiro semestre é consequência da falta de pagamento das despesas do Estado. A afirmação foi feita durante o espaço de análise económica, Economia Real. Siga a análise dos outros temas da semana

POR: Mariano Quissola / Rádio Mais

Que impacto tem sobre a economia, a redução da taxa de juro BNA de 18 para 16,5%?

Primeiro, o representa é que a política monetária que o BNA está a seguir é expansionista. Não reduziu só a taxa BNA, porque agora valem duas. Também vale a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, no mercado interbancário, que estava em queda. Os bancos tinham muitas desconfianças de comprar moedas entre si e, por outro lado, reduziu as reservas de depósitos obrigatórios de 19 para 17%, em moeda nacional.

O BNA argumenta que a razão foi a queda da inflacção…

O Banco Central julga que se deve à trajectória descendente da inflação comparada com o mês de Junho do ano passado. Actualmente está em 19,52% e o BNA acredita que está na hora de abrir o cordão à bolsa para colocar dinheiro na economia. Mas na minha perspectiva não é a razão de fundo.

Então qual é a sua ‘razão de fundo’?

Primeiro, a inflacção não está numa trajectória de queda consolidada. A razão de fundo deriva do facto de o Estado não estar a pagar com regularidade as suas obrigações, desde Setembro até hoje. Salário em atraso, algumas empresas não receberam dinheiro, têm dívidas… o Estado não está a funcionar, do ponto de vista das despesas correntes, é natural que a pressão da procura seja reduzida, logo dá a impressão da queda da inflacção. A banca está sem dinheiro, porque o Estado está a levar todo o dinheiro para si e não paga de forma regular os empréstimos que faz aos bancos.

De qualquer modo o crédito fica mais barato, certo?

Para o Estado será fácil, porque é o principal papão do mercado de crédito. Nota, o Estado está a pagar título por título. Ou seja, os bancos que concedem crédito ao Estado não estão a receber dinheiro, mas títutlos. E isso é uma queda brutal para o sistema financeiro, que pode até causar crise financeira.

Em resumo que vantagens essa redução traz à banca?

A vantagem é que permite que os bancos tenham ligeira liquidez.

A SADC continua a luta da reintegração regional e a semana passada abordaram o efeito da economia informal na região. Que solução?

A solução passa pelo alinhamento de procedimentos alfandegários entre os países membros. E um dos problemas a resolver é a dívida pública. O elevado número de desemprego também é um dos principais desafios a vencer…

É o alto índice de desemprego que dá lugar à economia informal. Repito, que constrangimento isso causa ao desafios da estabilidade do comércio regional?

As economias informais destorcem as políticas económicas, é uma barreira ao sucesso de qualquer política económica. A economia informal é uma economia sem segurança, sem conservação. É de sobrevivência, por falta de formação e de emprego. O investimento na indústria reduz a economia informal, pois só com formação e emprego é que se combate a informalidade. A informalidade nunca acaba, minimiza-se.

E a Fundação Sagrada Esperança discutiu este assunto em fórum. Acredita que políticas públicas?

Pode sair conclusões importantes para as autoridades do país colocarem em prática, pois saíram de lá grandes ideias.

Você foi um dos prelectores…

Sim, foi interessante. Abordei o tema ‘Crise Económica, Carga Tributária e Economia Informal’. Baseei- me mais nas causas da crise, os efeitos da carga tributária. E concluímos que num cenário de crise, onde há perda de empregos aumenta a informalidade na economia.

Trump acusa a União Europeia de motivação política na multa à Google. Continua a guerra comercial entre os dois parceiros.

Trump tem razão de acusar a Europa de motivação política, mas é consequência do facto de os Estados Unidos sempre terem mimado a União Europeia. Nas relações América/União Europeia quem ganha mais é a Europa. Os Estados ajudaram a Europa com o Plano Marshall, só que encontrou um presidente que quer tirar a chupeta à Europa.

Que impacto sobre as economias africanas?

Isso pode perigar financiamentos de projectos em África, na medida em que o rendimento da África depende dos rendimentos dos grandes. O FMI estima, por exemplo, que essa guerra comercial poderá afectar o PIB mundial, então a África sofre com isso. E as taxas de juros mundiais vão aumentar e poderemos entrar para o aumento da dívida africana.

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