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Estrelas e Palcos

Caro leitor, esta que vos escreve há imenso tempo que opta por escolher o que vê na televisão, sendo que quando o faz é geralmente para assistir a programas de informação. Mas claro está que num mundo global e interligado, não ver não significa não ter conhecimento, e assim fui-me apercebendo das eliminatórias nas várias províncias, no crescente interesse pelos concorrentes e nas galas, tendo a Unitel servido como grande interlocutor com todas as mensagens que enviava….

POR: Kamia Madeira

Sábado passado vi 5 minutos da última apresentação antes da final, e o concorrente imitava o saudoso André Mingas, para mim pareceu-me bem, mas sou suspeita porque gosto muito das suas músicas. Fui deitar-me, e no dia seguinte, perguntei à criançada quem eram os três concorrentes que se juntariam aos imitadores da Adele, Fally Ipupa e Robertinho. Maria, entendida nestas coisas, respondeu: “Tia, passou a Whitney Houston, o Michael Jackson e a Marie Misamu. A Whitney não esteve assim tão bem ontem, mas merece” Kâmia a curiosa, pensou na ligação que estas escolhas podem representar, não só porque os cantores são bons, mas porque são um reflexo de nós. Ícones como Whitney Houston ou Michael Jackson, mesmo tantos anos depois, fazem parte do nosso imaginário, e quantos meninos nem nascidos eram quando faleceram, mas que conhecem as suas músicas. Que romântico digno desse nome não tem a sua música predilecta da Whitney “I Will Always Love You” Soundtrack do filme “O Guarda-costas” Greatest Love of All” ou “Saving All My Love” entre outras. Fally Ipupa e Marie Misamu, contagiam e dizem-nos que é cada vez maior o número de “langas”, sem desprimor como escreveu a Maria Luísa Rogério na sua crónica e que apesar de fronteiras continuamos a acolher e a integrar. Robertinho é o regresso ao passado, sendo a Adele a visão do contemporâneo, porém por mais eloquente ou disparatada que possa ser esta análise, importa referir que para todos que tenham como sonho ser “famoso” e poder cantar para muitas pessoas… a visibilidade tem um preço. Por norma, têm mais hipóteses de singrar os concorrentes que ficam em lugares inferiores, após o afã da nomeação vem o trabalho duro porque devem provar que não são só exímios imitadores, mas que com letras originais têm igualmente valor. Afirmar-se num mercado competitivo, onde muitos encontram mais expressão fora de portas do que localmente, com questões ainda por resolver das cópias dos álbuns vendidas pelas ruas não se afigura tarefa fácil. Os sonhos dizem, comandam a vida, mas gostaria de ver cada vez mais um investimento nos novos valores, concursos musicais são óptimos mas por que não dinamizar competições de soletrar e de raciocínio matemático, em um qualquer bloco de um programa de tv onde as escolas possam competir e ter visibilidade. Contudo, não são só os palcos que podem ajudar a catapultar. Onde está a aposta em programas de dinamização da juventude? Porque não organizar concursos dos mais variados segmentos, provinciais ou comunais? Todos os fins-de-semana disputam- se jogos aguerridos de futebol no meu quarteirão, no Kilamba, será que não se pode organizar um campeonato? E que tipo de estrelas queremos que brilhem? Só as que cantam e dançam? Sendo que a cultura tem tantas outras formas de expressão…. A todos os que amanhã concorrerem para a eleição do melhor imitador de Angola, uma estrelinha da sorte, a sorte que se conquista e trabalha.

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