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Mais de trezentos sinistrados socorridos gratuitamente na Via Expresso

Os elevados casos de acidentes de viacção que quando não matam incapacitam pessoas, estiveram na base da criação dos serviços de prestação de assistência médica, a custo zero, naquele movimentado troço que não dispõe, ao longo das suas margens, de um único hospital público

POR: Domingos Bento

Mais de trezentas pessoas que estiveram envolvidas em acidente de viação na Via Expresso foram assistidas gratuitamente, durante o ano de 2017, na Clínica Anjo da Guarda, situada numa das margens daquela movimentada via que liga a zona do Benfica a Cacuaco. No presente ano, o número de sinistrados que receberam o mesmo tipo de assistência chega a duzentos. Segundo o presidente do Conselho da Administração da referida clínica, Cenén Potuondo, a colisão entre veículos e os atropelamentos de peões constituem as causas das principais ocorrências que dão entrada na sua instituição. Apesar de não cobrar nada às vítimas de acidentes, presta uma assistência com todos os serviços para evitar que os casos cheguem à morte. Os elevados casos de acidentes que quando não matam incapacitam, estiveram na base da criação dos serviços de prestação de assistência médica a custo zero naquela estrada que não dispõe, ao longo das suas margens, de um único hospital público. Assim, de forma a evitar a morte de muita gente por falta de assistência médica, a instituição preferiu, dentro do seu programa de responsabilidade social, ser um parceiro do Estado e das famílias, defendendo a vida acima de qualquer valor monetário. “É preocupante o número de acidentes que se regista nesta via. Nós, na qualidade de uma instituição de saúde, não devíamos estar indiferentes. Por isso, achamos por bem prestar toda a assistência às pessoas que nos procuram com casos de lesões ou fracturas resultantes da sinistralidade rodoviária”, explicou.

Ambulância ronda em toda a extensão da Via

Segundo ainda Cenén Potuondo, a unidade destacou uma ambulância que todos os dias patrulha toda a extensão da Via Expresso, de forma a dar resposta rápida aos sinistrados. Isso tem permitido também que as pessoas sejam assistidas com alguma eficiência, muitas vezes sem necessidade internamento. No entanto, devido ao número limitado de camas, já que a unidade dispõe de uma capacidade de internamento de apenas 25 pessoas, o “Anjo da Guarda” presta todos os tratamentos de primeiros socorros médicos aos sinistrados e, caso haja necessidade de internamento, os casos mais graves são transferidos para o Hospital Geral de Luanda, no Camama. “Gostaríamos de ter aqui as vítimas até ao fim de todos os tratamentos, mas, como disse, temos uma capacidade bastante limitada de internamento. Entretanto, estamos a aumentar o nosso espaço físico e, num futuro breve, poderemos ter a capacidade de internar os sinistrados”, assegurou. Cenén Potuondo fez saber ainda que, para além da assistência às vítimas de acidentes, a sua instituição tem igualmente desenvolvido um conjunto de a actividades médicas nos bairros mais carenciados de Luanda, com realce para o Kifica, Chinguar, Benfica, Cabo Ledo e Ramiros, onde é prestada assistência gratuita nas áreas de medicina geral, estomatologia, oftalmologia e genecologia.

Falta educação nas famílias

Por outro lado, Ulisen Cvurt, médico de primeiros socorros da referida clínica, disse que é preciso que se desenvolvam campanhas de educação rodoviária no seio das famílias e nas escolas, de forma a reduzir os elevados casos de acidentes naquela via de trânsito rápido. Conforme fez saber, os acidentes aumentam naquele movimentado troço aos finais-de-semana, pelo que, no seu entender, se não houver nenhuma medida de prevenção e educação permanente, muito mais vidas poderão perder-se de forma prematura. “As pessoas de fora não têm noção das vidas que se perdem na Via Expresso. É muita gente. E isso pode ser reduzido com a implementação de planos de educação ou sensibilização, de forma permanente”, sugere.

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