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Presidente da República participa na 10ª Cimeira dos BRICS na África do Sul

João Lourenço chegou no princípio da tarde desta Quinta-feira à África do Sul, para participar na 10ª Cimeira dos BRICS, que decorre em Sandton, arredores de Joanesburgo, até hoje, ao dia 27 de Julho.

O Chefe de Estado angolano é um dos dois representantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa convidados para o evento, a par do homólogo de Moçambique, Filipe Nyusi. Após a chegada na Base Aérea de Waterkloof, João Lourenço foi recebido pelo vice-ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Luwelly Tyrone Landers. Pela parte angolana estiveram presentes o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, pela embaixadora de Angola na África do Sul, Filomena Delgado, e pelo adido de Defesa de Angola, Divaldo da Fonseca. Esta é a primeira participação do Presidente angolano nesse fórum de concertação dos cinco países com as principais economias emergentes do Mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) desde a sua eleição nas Eleições Gerais de 2017.

Trata-se da segunda vez que Angola se faz representar nessa Cúpula, depois da participação na V Cimeira dos BRICS, em Durban, em 2013, com o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que deixou o poder em 2017. Tal como outros estadistas convidados pela organização do evento, João Lourenço participa, Sextafeira (último dia da Cimeira), numa Reunião dos Chefes de Estado e de Governo dos BRICS com os países do BRICS Outreach África. A Angop noticiou, desde Joanesburgo, que havia também a possibilidade de o Chefe de Estado manter nesta Quinta-feira um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, além de efectuar uma visita à Casa de Angola. O Presidente angolano, que tem feito uma “cruzada” contra a corrupção e impunidade no país, está na África do Sul numa altura em que os BRICS se mostram preocupados com a proposta do Governo norte-americano de agravar as tarifas sobre as importações de aço e alumínio.

Em causa está uma proposta do Presidente Donald Trump de agravar 25 por cento sobre as importações de aço e 10 por cento sobre as importações de alumínio, posição que tem merecido duras críticas de países europeus, asiáticos e da América Latina. Na presente Cimeira, a África do Sul propôs cinco temas centrais para adopção: um grupo de trabalho sobre manutenção da paz; um centro de investigação e pesquisa de vacinas; o Fórum das Mulheres do BRICS; promover a parceria dos BRICS na 4.ª Revolução Industrial e a criação de um canal de cooperação do BRICS sobre o Turismo. A 10.ª Cimeira dos BRICS constituiu um “marco histórico” na cooperação destes países, pois representa uma década de cooperação dr ao mais alto nível. As autoridades sul-africanas, no âmbito do envolvimento com África, convidaram ainda o Presidente Hage Geingob, da Namíbia, os Chefes de Estado do Gabão, Ali Bongo, do Uganda, Yoweri Museveni, e do Ruanda, Paul Kagame. De igual modo, foram convidados todos os chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). A esses juntou-se o convite ao Presidente da Argentina, Mauricio Marci, que preside ao G8, e o da Turquia, Recep Erdogan, também convidados para a cimeira de três dias como representantes das economias emergentes no âmbito da iniciativa “Brics-Plus”.

BRICS é um acrónimo que se refere aos países membros fundadores do grupo BRIC: Brasil, Rússia, Índia, China, mais a África do Sul, que há dez anos formam, juntos, um grupo político de cooperação. Desde 2009, esses líderes realizam cimeiras anuais. Analistas em economia acreditam que o conjunto das economias destas nações se desenvolva rápido e, em 2050, possa eclipsar as economias dos países mais ricos do Mundo. Os cinco países, em conjunto, representam, actualmente, mais de um quarto da área terrestre do planeta e mais de 40 por cento da população mundial. Os BRICS são considerados um grupo importante no cenário global do G20 e um contrapeso para o G7. Só em 2017, a sua participação na economia global foi de 23,6 por cento. Dados do Fundo Monetário Internacional estimam que, em 2022 a quota aumente para 26,8 por cento. Em termos populacionais, os números do grupo são mais robustos. Em 2015, os BRICS representavam 41 por cento do total da população mundial. Todavia, há ainda desequilíbrios entre os cinco países, sendo que só os dados económicos da China correspondem a quase dois terços do desempenho económico dos BRICS. A África do Sul contribui com cerca de 3 por cento do desempenho económico do grupo.

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