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África do Sul: PR pede apoio ao BRICS

O Presidente da República, João Lourenço, reiterou nesta Sexta-feira, em Joanesburgo, África do Sul, o apelo ao BRICS para que ajudem Angola a superar os constrangimentos ainda existentes, para colocar a economia angolana ao serviço do desenvolvimento, do progresso e do bem-estar das populações.

Segundo o Chefe de Estado, que intervinha no encontro entre os líderes do- BRICS e dirigentes de países africanos, em representação de várias regiões económicas, Angola tem feito um grande esforço no domínio da reconstrução nacional, mas são ainda insuficientes para colmatar as crescentes exigências das populações e das empresas. Lembrou que o país iniciou recentemente um novo ciclo político e o Governo propõe-se continuar a aprofundar o processo democrático e a implementar programas de estabilização macroeconómica, para reduzir os efeitos da inflação, normalizar o mercado cambial, melhorar o ambiente de negócios e combater a corrupção e a impunidade. João Lourenço sublinhou que, em determinados momentos do seu percurso histórico, o BRICS passou pelo mesmo estágio de desenvolvimento económico e social dos países africanos, mas conseguiram dar o salto decisivo para a sua industrialização.

O Presidente da República, que participou pela primeira vez no encontro dos cinco países com as principais economias emergentes do Mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), disse que os países africanos poderão saltar etapas e encurtar o caminho do progresso e do desenvolvimento, seguido o exemplo do BRICS. É com o exemplo dos países desse grupo (patriotismo, disciplina colectiva, aposta na educação, trabalho e boa organização da sociedade), que os africanos contam se inspirar, para que algum dia se possam acrescentar outras letras à sigla BRICS, disse. “Acreditamos que na actual conjuntura da globalização e das tecnologias da informação e comunicação, os nossos países poderão saltar etapas, encurtando desta forma o caminho do progresso e do desenvolvimento”, sublinhou. Noutra vertente do seu discurso, João Lourenço disse estar consciente de que o desenvolvimento sustentável dos países da região só será possível se cada um deles por si for capaz de criar as condições internas de segurança e estabilidade democrática. Essas condições internas, disse, devem possibilitar uma estratégia concertada de crescimento inclusivo, combate à fome, redução da taxa de desemprego, fomento habitacional, melhoria geral da condição de vida das populações e criação de parcerias para a integração e industrialização de toda a região austral.

“Estamos conscientes que a colaboração entre o BRICS e África pode levar à criação de sociedades inclusivas e de parcerias globais no interesse de toda a humanidade”, exprimiu. A seu ver, o BRICS pode igualmente, através das instituições de carácter económico e financeiro que pretendem criar, contribuir para reforçar a tendência para a criação de um mundo onde as decisões sejam tomadas de forma cada vez mais multilateral, equilibrada e justa. Segundo o Chefe de Estado angolano, as áreas de cooperação propostas pela Presidência da África do Sul, que vão desde a manutenção da paz, às questões do género e de uma nova estratégia de cooperação económica até às novas tecnologias da informação e da comunicação, revelam bem a amplitude e profundidade das questões debatidas nesta 10ª Cimeira do BRICS. Para si, “Alavancar a estratégia para a parceria económica de África com o BRICS, na perspectiva do crescimento inclusivo e da prosperidade compartilhada com o avanço da 4ª Revolução Industrial, pode, efectivamente, potenciar o desenvolvimento sustentável.

De igual modo, disse, pode potenciar a inclusão económica, a reforma do Estado, a boa governação, a modernização e desburocratização dos serviços públicos, assim como o surgimento da economia digital e do governo electrónico. Por essa razão, adiantou que se pretende em Angola explorar as potencialidades das TICS na sua dimensão económica, social, cultural e ambiental e transformar as telecomunicações num elemento catalisador do desenvolvimento económico em geral, sem esquecer a necessidade de harmonização com os países vizinhos da África Austral e Central e com o mundo em geral. Antes de intervir na plenária, que marca o último dia de trabalhos da 10ª Cimeira do BRICS, João Lourenço manteve um encontro com o Presidente da China, Xi Jinping. Quinta-feira, o Chefe de Estado angolano encontrou-se com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin (a pedido deste), e com o Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também a seu pedido.

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