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Ângelo Kinsukulu Dimba: O carpinteiro que fornece mobília nacional aos restaurantes

Aos 35 anos de idade, Ângelo Kinsukulu Dimba dirige a carpintaria com o seu nome que produz 100 peças /mês. O seu maior desejo é construir uma fábrica para fazer mobília nacional de qualidade

POR: Patrícia de Oliveira

Natural do município da Damba, província do Uíje, Ângelo Kinsukulu Dimba aprendeu a profissão de carpinteiro ainda adolescente, no Congo Democrático, na condição de refugiado, quando emigrou por causa do conflito armado angolano. A paixão pela carpintaria surgiu em 2005, quando ainda era ajudante na terra de Joseph Kabila. “Quando comecei como ajudante, a minha missão era lixar e posteriormente fazer mesas, cadeiras, camas, armários e outras peças”, explica. Em 2009, o jovem teve de deixar o Congo Democrático com destino a Luanda. Na época, o Governo angolano anunciou que seria feito o repatriamento voluntário dos refugiados angolanos que ainda viviam na vizinha República Democrática do Congo.

De regresso à cidade capital, Ângelo Kinsukulu alugou um espaço no bairro Talatona e começou a pôr em prática tudo o que aprendera com o seu mestre congolês. As peças feitas com paletes têm atraído cada vez mais a atenção de vários empreendedores para apetrechar espaços, desde restaurantes, boutiques, residências, e outros cómodos. “ A mobília nacional rústica tem tido muita procura por parte dos donos de restaurantes e lojas diversas”, referiu. A carpintaria Ângelo Dimba (su) Lda. emprega 15 funcionários e fabrica mesas, sofás, balções, armários, garrafeiras, vasos, cofres e outros objectos. Na carpintaria, as peças mais solicitados pelos clientes são o balcão, cadeiras e prateleiras diversas.

O carpinteiro conta que os produtos para fazer a mobília são adquiridos na praça do Kicolo, nomeadamente ripas, pregos, cola, parafusos. Ângelo Kinsukulu acredita que a crise económica e a falta de divisas permitiram que o mobiliário nacional tivesse mais adesão no mercado angolano. Disse ainda que muitas pessoas deixaram de viajar para comprar mercadoria, agora estão a trabalhar com produtos nacionais. Por outro lado, a aquisição do dólar está difícil, “Nos últimos meses tem aumentado o número de restaurantes e boutiques e também aumentam os pedidos para fabricar mesas e cadeiras de palete”, salientou. Tal como todo o tipo de negócios, o preço da mobília varia consoante o tamanho dos artigos e as medidas solicitadas. O balção é a peça mais cara e pode ser comercializado ao preço de 200 mil kwanzas, enquanto o cofre é vendido ao preço de 3 mil kwanzas. Em termos de encomendas, mensalmente o espaço chega a receber 50 clientes. Os produtos mais solicitados são o balção, cadeiras altas e mesas. Durante o mês, a carpintaria produz 100 peças diversas.

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